Brasil irá reagir no Conselho de Segurança contra sanções a Irã, diz Amorim
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SOFIA FERNANDES
da Sucursal de Brasília
Atualizado às 21h40.
O chanceler Celso Amorim afirmou nesta terça-feira que irá reagir dentro do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra as sanções anunciadas contra o Irã. Amorim está escrevendo uma carta a quatro mãos com o chanceler turco para enviar aos membros do conselho.
Brasil não vai discutir sanções da ONU contra o Irã, diz embaixadora
Proposta de resolução da ONU contra Irã inclui bancos e armas
Conselho de Segurança de ONU se reúne para discutir sanções
Embaixador dos EUA no Brasil diz que acordo não é suficiente
Eraldo Peres/AP
Para Celso Amorim, todos os pontos considerados essenciais pela comunidade internacional foram acatados pelo Irã no acordo firmado
Para Celso Amorim, todos os pontos considerados essenciais pela comunidade internacional foram acatados pelo Irã no acordo firmado
Na mensagem, os dois países irão justificar que todos os pontos considerados essenciais pela comunidade internacional foram acatados pelo Irã no acordo firmado ontem entre Brasil, Irã e Turquia.
São estes os requisitos conquistados pelo acordo: quantidade definida da remessa de urânio; a não exigência de recebimento prévio ou simultâneo do urânio enriquecido; e a comunicação oficial à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) dos compromissos assumidos.
"Achamos que os pontos essenciais podem ser considerados um passaporte para uma solução negociada e pacífica da situação nuclear iraniana, e essas condições foram cumpridas", afirmou Amorim.
Para Amorim, que estava visivelmente cansado e afobado durante entrevista coletiva, as sanções anunciadas foram pré-concebidas, e os países não levaram em consideração o acordo encabeçado pelo Brasil. "Não é possível que todas as pessoas tenham analisado o acordo", afirmou. "Não colocaram na balança as coisas que Lula falou", emendou.
Chanceler afirmou que vê risco de o Irã ficar melindrado com o pacote de sanções, mas que não fica irritado com o ceticismo americano em relação à atuação brasileira.
"Não fico irritado com o ceticismo americano. O acordo é o acordo que eles propuseram, as dificuldades eram sempre essas, e todas as dificuldades foram resolvidas", disse.
No fim da entrevista, Amorim afirmou que não defende que o Irã volte a enriquecer urânio, mas que isso é um problema soberano do país. "Não tenho razão para acreditar que tenha motivos militares o programa iraniano", disse.
Amorim, que chegou hoje de viagem de Madri, defendeu ainda que o Irã não está questionando a presença dos agentes da agência atômica. "Em nenhum momento o Irã questionou a presença dos inspetores", afirmou.
Recusa brasileira
A embaixadora do Brasil no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), Maria Luiza Ribeiro Viotti, deixou claro nesta terça-feira que o país está insatisfeito com a divulgação de um esboço de sanções contra o Irã, após uma reunião do grupo na tarde de hoje.
"O Brasil não vai entrar em nenhuma discussão nesse momento porque achamos que é uma situação nova", disse ela. "Houve um acordo muito importante ontem."
Vahid Salemi/AP - 17.mai.10
Celso Amorim (esq.), Luiz Inácio Lula da Silva, Mahmoud Ahmadinejad, e Recep Tayyip Erdogan (dir.) comemoram acordo
Celso Amorim (esq.), Luiz Inácio Lula da Silva, Mahmoud Ahmadinejad, e Recep Tayyip Erdogan (dir.) comemoram acordo
O Conselho de Segurança das Nações Unidas fez uma reunião de emergência nesta terça-feira para discutir o projeto de resolução estipulado por seus cinco membros permanentes --Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido--, mais a Alemanha, para acirrar o regime de sanções ao Irã por seu programa nuclear.
Sanções
A proposta de resolução de sanções contra o Irã, elaborada pelos EUA, Rússia e China prevê punições a bancos e outras empresas do país, além da criação de um regime internacional de inspeções em navios suspeitos de transportar cargas relacionadas aos programas nuclear e de mísseis.
O documento de dez páginas, ao qual a Reuters teve acesso, "pede aos Estados que adotem medidas adequadas para proibir (...) a abertura de novas agências, subsidiárias ou escritórios de representação de bancos iranianos" caso haja razões para supor que tais bancos estejam vinculados a atividades de proliferação nuclear.
O esboço também aponta "a necessidade de exercer vigilância sobre transações que envolvam bancos, inclusive o Banco Central do Irã, de modo a evitar que tais transações contribuam para a proliferação de atividades nucleares sensíveis" ou para o desenvolvimento de sistemas para o lançamento de armas atômicas.
A quarta rodada de sanções ao Irã ampliaria o embargo armamentista já em vigor contra o país, incluindo novas categorias de armamentos pesados.
Vários diplomatas ocidentais do Conselho de Segurança disseram que o órgão da ONU, com 15 países, deve votar a resolução no começo de junho.
Os dez membros não permanentes do Conselho --inclusive Brasil e Turquia, que acabam de mediar um acordo nuclear com o Irã-- deveriam receber o texto durante uma reunião que estava em andamento nesta terça-feira na sede da ONU, segundo os diplomatas.
O Ocidente suspeita que o programa nuclear iraniano inclua o desenvolvimento de armas, algo que Teerã nega.
Acordo
A reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira pode ser considerada como uma rejeição ao acordo fechado pelo Irã com mediação do Brasil e da Turquia.
O acordo assinado ontem determina que o Irã envie 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França --suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores e muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba. O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano.
A troca acontecerá na Turquia, país com proximidades com Ocidente e Irã, e sob supervisão da AIEA e vigilância iraniana e turca.
A troca de urânio iraniano em solo exterior era tema da proposta feita pelo grupo dos 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) em outubro passado, sob mediação da AIEA. Na época, o Irã rejeitou a proposta por falta de garantias da entrega do urânio enriquecido e, em fevereiro passado, iniciou o enriquecimento de urânio a 20% em seu próprio território.
terça-feira, 18 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Com cambistas à vontade, torcedor do São Paulo sofre no Morumbi | globoesporte.com
15/05/2010 14h12 - Atualizado em 15/05/2010 14h29
Com cambistas à vontade, torcedor do São Paulo sofre no Morumbi
No palco da partida de quarta, contra o Cruzeiro, as filas são enormes e não existe policiamento. Bilheterias do estádio funcionarão até às 17h
Por Marcelo Prado São Paulo
imprimir
Enormes filas, muita revolta, desorganização e cambistas trabalhando à vontade. Não está fácil a vida do torcedor do São Paulo que quer garantir um ingresso para a partida da próxima quarta-feira, contra o Cruzeiro, no estádio do Morumbi, pelas quartas de final da Taça Libertadores da América. Vale lembrar que, por ter vencido por 2 a 0 no estádio do Mineirão, na última quarta-feira, a equipe comandada por Ricardo Gomes pode até perder por um gol de diferença que se garante na semifinal da competição sul-americana.
fila no morumbiTorcida são-paulina chegou cedo e sofre com as enormes filas (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)
As bilheterias, como previsto, abriram às 10h. Às 13h30, quando a reportagem do GLOBOESPORTE.COM chegou ao local, a fila já dava a volta no estádio do Morumbi. Muita gente reclamou da demora da fila e do fato dos cambistas trabalharem à vontade, com todos os tipos de ingressos.
- É uma vergonha. Cheguei na fila às 11h, não estou nem perto de ser atendido e vem um cambista me vender um ingresso de arquibancada por R$ 120 reais. Na bilheteria, ele custa R$ 60. E você não vê um policial por aqui. A gente sofre porque quer estar perto do time, mas tem hora que você fica pensando se vale a pena – afirmou o bancário Pedro Stout, de 33 anos, acompanhando de dois amigos.
fila no morumbifila deu a volta no estádio do Morumbi
(Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)
Depois de muitas reclamações, uma viatura da Polícia Militar apareceu e três cambistas foram presos, para delírio de quem estava na fila. As bilheterias do estádio do Morumbi funcionarão neste sábado até as 17h.
Até o fechamento de sexta-feira, 30.588 dos 58.337 ingressos haviam sido comercializados. Caso esse primeiro lote se esgote, a diretoria do São Paulo colocará à venda mais três mil bilhetes. A capacidade máxima do estádio hoje é de 61.500 lugares.
Com cambistas à vontade, torcedor do São Paulo sofre no Morumbi
No palco da partida de quarta, contra o Cruzeiro, as filas são enormes e não existe policiamento. Bilheterias do estádio funcionarão até às 17h
Por Marcelo Prado São Paulo
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Enormes filas, muita revolta, desorganização e cambistas trabalhando à vontade. Não está fácil a vida do torcedor do São Paulo que quer garantir um ingresso para a partida da próxima quarta-feira, contra o Cruzeiro, no estádio do Morumbi, pelas quartas de final da Taça Libertadores da América. Vale lembrar que, por ter vencido por 2 a 0 no estádio do Mineirão, na última quarta-feira, a equipe comandada por Ricardo Gomes pode até perder por um gol de diferença que se garante na semifinal da competição sul-americana.
fila no morumbiTorcida são-paulina chegou cedo e sofre com as enormes filas (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)
As bilheterias, como previsto, abriram às 10h. Às 13h30, quando a reportagem do GLOBOESPORTE.COM chegou ao local, a fila já dava a volta no estádio do Morumbi. Muita gente reclamou da demora da fila e do fato dos cambistas trabalharem à vontade, com todos os tipos de ingressos.
- É uma vergonha. Cheguei na fila às 11h, não estou nem perto de ser atendido e vem um cambista me vender um ingresso de arquibancada por R$ 120 reais. Na bilheteria, ele custa R$ 60. E você não vê um policial por aqui. A gente sofre porque quer estar perto do time, mas tem hora que você fica pensando se vale a pena – afirmou o bancário Pedro Stout, de 33 anos, acompanhando de dois amigos.
fila no morumbifila deu a volta no estádio do Morumbi
(Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)
Depois de muitas reclamações, uma viatura da Polícia Militar apareceu e três cambistas foram presos, para delírio de quem estava na fila. As bilheterias do estádio do Morumbi funcionarão neste sábado até as 17h.
Até o fechamento de sexta-feira, 30.588 dos 58.337 ingressos haviam sido comercializados. Caso esse primeiro lote se esgote, a diretoria do São Paulo colocará à venda mais três mil bilhetes. A capacidade máxima do estádio hoje é de 61.500 lugares.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
No primeiro round, São Paulo dá troco e vence o Cruzeiro no Mineirão | globoesporte.com
Eliminados da Libertadores pela Raposa em 2009, tricolores contam com boa atuação do estreante Fernandão e abrem vantagem na disputa
O São Paulo venceu não só o Cruzeiro por 2 a 0 nesta quarta-feira, no Mineirão. Com atuação inspirada do estreante Fernandão, o Tricolor superou também a desconfiança da própria torcida e as críticas de parte da imprensa. Com gols de Dagoberto e Hernanes, o time deixou encaminhada a vaga para a semifinal da Taça Libertadores. A equipe pode perder por um gol de diferença na próxima quarta-feira, às 21h50m, no Morumbi, que se classificará. O time mineiro precisa vencer por três ou mais gols de diferença ou devolver os 2 a 0 para decidir a classificação nos pênaltis.
Em jogo nervoso, são-paulinos abrem o placar
O nervosismo mandou no início de jogo. Por parte do Cruzeiro, muitas faltas, enquanto os são-paulinos exageravam nos passes errados. Os visitantes levaram o primeiro susto em cobrança de escanteio, aos nove minutos do primeiro tempo. Henrique subiu mais que Richarlyson e cabeceou forte para o gol. Rogério Ceni fez bela defesa, em cima da linha, mas a arbitragem interrompeu a partida porque Kleber, em posição irregular, participou do lance, atrapalhando a visão do goleiro e tentando desviar a bola.
Os cruzeirenses mantiveram a pressão. Aos 13, Diego Renan fez o passe para Kleber, que invadiu a área pela esquerda, driblou dois zagueiros e chutou rasteiro com força, mas Ceni defendeu mais uma.
Hernanes comemora com o cruzeirense caídoHernanes comemora no Mienrão (Foto: EFE)
Os tricolores investiam tudo nos contra-ataques, sempre buscando Fernandão. Aos 21, Marlos fez o passe para o novo camisa 15 do Morumbi, na entrada da área cruzeirense. De costas para a meta, Fernandão passou de primeira para Dagoberto, que foi à linha de fundo, pela esquerda, e tentou o cruzamento rasteiro, mas Thiago Heleno se antecipou e afastou o perigo.
Foi como um ensaio para o que estava por vir. Aos 24, Marlos tabelou com Fernandão, que fez belo passe pelo alto e devolveu para o meia nas costas da zaga. No cruzamento, Dagoberto ganhou a disputa com os defensores e desviou para as redes.
O gol não chegou a calar a torcida celeste, que compareceu em bom número ao Mineirão. Mas ficou evidente o abalo. Em campo, os jogadores da Raposa também sentiram e tiveram trabalho para se reorganizar.
Aos 31, Kleber recebeu belo passe de Fabrício, dentro da área, se livrou de dois marcadores e tentou um toque sutil para o gol, mas Rogério Ceni apareceu e cortou com um soco. Os anfitriões voltaram a levar perigo aos 40, quando Thiago Ribeiro subiu mais que a zaga paulista, em cruzamento de Jonathan, mas cabeceou para fora.
Calcanhar de Fernandão é decisivo
As equipes voltaram dos vestiários sem alterações, mas enquanto o Cruzeiro demonstrava disposição renovada para correr atrás do prejuízo, o São Paulo cresceu em confiança com o gol, e buscou seu espaço em campo. Mas, assim como na etapa inicial, a Raposa teve a primeira boa chance. Aos quatro, Thiago Ribeiro recebeu na área, pela esquerda, ajeitou e chutou no canto direito de Rogério Ceni, que fez mais uma participação importante e espalmou para escanteio.
Com os são-paulinos se aventurando mais na tentativa de criar jogadas de ataque, o técnico Adilson Batista decidiu explorar a maior exposição dos rivais e trocou o lateral-esquerdo Diego Renan pelo atacante Guerrón, aos 10 – deslocando o convocado Gilberto, até então praticamente nulo como meia, para a ala. O goleiro Fábio foi obrigado a mostrar serviço aos 14, quando se antecipou a Marlos, que invadia a área em velocidade pelo meio, e ficou com a bola. Em seguida, aos 18, Adilson fez mais uma alteração, que rendeu protestos de parte da torcida celeste: Fábio Santos no lugar de Fabrício.
Mas o sistema defensivo mineiro não conseguia lidar com a troca de passes veloz dos são-paulinos. Aos 20, Fernandão recebeu na entrada da área, pela direita, e, com um passe de calcanhar, tirou dois marcadores e deixou Hernanes sozinho, de frente para o gol. O camisa 10 escolheu o canto esquerdo de Fábio para fazer o segundo dos visitantes. O golpe desta vez se mostrou fatal, e a torcida mineira se calou. Aos 24, Rogério Ceni deu mais um motivo para aumentar a apreensão dos celestes ao defender chute colocado de Kleber.
A seguir, dois equívocos da arbitragem. Aos 26, Fernandão, em posição regular, recebeu passe entre os zagueiros cruzeirenses, invadiu a área e foi ao chão, na disputa de bola com o goleiro Fábio. Mas a arbitragem falhou e paralisou o lance, indicando impedimento inexistente. Depois o erro foi contra a Raposa, aos 30. Thiago Ribeiro recebeu na meia-lua e chutou forte para o fundo das redes, mas o assistente levantou a bandeira e o árbitro anulou o que seria o primeiro gol celeste.
Com o São Paulo visivelmente cansado, os cruzeirenses apostaram em Roger, na vaga de Gilberto, que deixou o campo vaiado pela própria torcida. Ricardo Gomes respondeu substituindo Júnior César por Jorge Wagner e Fernandão por Washington. Aos 38, foi a sorte quem reforçou a zaga tricolor, no chute de Roger que bateu nas duas traves antes de ser afastada pela defesa.
Foi a senha para a festa da pequena torcida tricolor no Mineirão, que no ano passado amargou uma eliminação na mesma fase da Libertadores no mesmo estádio e para o mesmo rival. Primeiro, foram os gritos de 'o campeão voltou', substituídos pelos de 'o Mineirão calou' após o apito final.
CRUZEIRO 0 X 2 SÃO PAULO Fábio, Jonathan, Gil, Thiago Heleno e Diego Renan (Guerrón); Fabrício (Fábio Santos), Henrique, Marquinhos Paraná e Gilberto (Roger); Thiago Ribeiro e Kleber. Rogério Ceni, Cicinho (Jean), Alex Silva, Xandão e Júnior César (Jorge Wagner); Rodrigo Souto, Richarlyson, Hernanes e Marlos; Dagoberto e Fernandão (Wasington).
Técnico: Adilson Batista Técnico: Ricardo Gomes
Gols: Dagoberto, aos 24 minutos do primeiro tempo. Hernanes, aos dez minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Jonathan e Roger (Cruzeiro); Xandão, Richarlyson, Hernanes, Alex Silva e Dagoberto(São Paulo)
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte. Data: 12/05/2010. Árbitro: Oscar Ruiz (COL). Auxiliares: Abraham Gonzalez (COL) e Humberto Clavijo (COL). Público: 48.602 pagantes. Renda: R$ 1.422.892,04.
O São Paulo venceu não só o Cruzeiro por 2 a 0 nesta quarta-feira, no Mineirão. Com atuação inspirada do estreante Fernandão, o Tricolor superou também a desconfiança da própria torcida e as críticas de parte da imprensa. Com gols de Dagoberto e Hernanes, o time deixou encaminhada a vaga para a semifinal da Taça Libertadores. A equipe pode perder por um gol de diferença na próxima quarta-feira, às 21h50m, no Morumbi, que se classificará. O time mineiro precisa vencer por três ou mais gols de diferença ou devolver os 2 a 0 para decidir a classificação nos pênaltis.
Em jogo nervoso, são-paulinos abrem o placar
O nervosismo mandou no início de jogo. Por parte do Cruzeiro, muitas faltas, enquanto os são-paulinos exageravam nos passes errados. Os visitantes levaram o primeiro susto em cobrança de escanteio, aos nove minutos do primeiro tempo. Henrique subiu mais que Richarlyson e cabeceou forte para o gol. Rogério Ceni fez bela defesa, em cima da linha, mas a arbitragem interrompeu a partida porque Kleber, em posição irregular, participou do lance, atrapalhando a visão do goleiro e tentando desviar a bola.
Os cruzeirenses mantiveram a pressão. Aos 13, Diego Renan fez o passe para Kleber, que invadiu a área pela esquerda, driblou dois zagueiros e chutou rasteiro com força, mas Ceni defendeu mais uma.
Hernanes comemora com o cruzeirense caídoHernanes comemora no Mienrão (Foto: EFE)
Os tricolores investiam tudo nos contra-ataques, sempre buscando Fernandão. Aos 21, Marlos fez o passe para o novo camisa 15 do Morumbi, na entrada da área cruzeirense. De costas para a meta, Fernandão passou de primeira para Dagoberto, que foi à linha de fundo, pela esquerda, e tentou o cruzamento rasteiro, mas Thiago Heleno se antecipou e afastou o perigo.
Foi como um ensaio para o que estava por vir. Aos 24, Marlos tabelou com Fernandão, que fez belo passe pelo alto e devolveu para o meia nas costas da zaga. No cruzamento, Dagoberto ganhou a disputa com os defensores e desviou para as redes.
O gol não chegou a calar a torcida celeste, que compareceu em bom número ao Mineirão. Mas ficou evidente o abalo. Em campo, os jogadores da Raposa também sentiram e tiveram trabalho para se reorganizar.
Aos 31, Kleber recebeu belo passe de Fabrício, dentro da área, se livrou de dois marcadores e tentou um toque sutil para o gol, mas Rogério Ceni apareceu e cortou com um soco. Os anfitriões voltaram a levar perigo aos 40, quando Thiago Ribeiro subiu mais que a zaga paulista, em cruzamento de Jonathan, mas cabeceou para fora.
Calcanhar de Fernandão é decisivo
As equipes voltaram dos vestiários sem alterações, mas enquanto o Cruzeiro demonstrava disposição renovada para correr atrás do prejuízo, o São Paulo cresceu em confiança com o gol, e buscou seu espaço em campo. Mas, assim como na etapa inicial, a Raposa teve a primeira boa chance. Aos quatro, Thiago Ribeiro recebeu na área, pela esquerda, ajeitou e chutou no canto direito de Rogério Ceni, que fez mais uma participação importante e espalmou para escanteio.
Com os são-paulinos se aventurando mais na tentativa de criar jogadas de ataque, o técnico Adilson Batista decidiu explorar a maior exposição dos rivais e trocou o lateral-esquerdo Diego Renan pelo atacante Guerrón, aos 10 – deslocando o convocado Gilberto, até então praticamente nulo como meia, para a ala. O goleiro Fábio foi obrigado a mostrar serviço aos 14, quando se antecipou a Marlos, que invadia a área em velocidade pelo meio, e ficou com a bola. Em seguida, aos 18, Adilson fez mais uma alteração, que rendeu protestos de parte da torcida celeste: Fábio Santos no lugar de Fabrício.
Mas o sistema defensivo mineiro não conseguia lidar com a troca de passes veloz dos são-paulinos. Aos 20, Fernandão recebeu na entrada da área, pela direita, e, com um passe de calcanhar, tirou dois marcadores e deixou Hernanes sozinho, de frente para o gol. O camisa 10 escolheu o canto esquerdo de Fábio para fazer o segundo dos visitantes. O golpe desta vez se mostrou fatal, e a torcida mineira se calou. Aos 24, Rogério Ceni deu mais um motivo para aumentar a apreensão dos celestes ao defender chute colocado de Kleber.
A seguir, dois equívocos da arbitragem. Aos 26, Fernandão, em posição regular, recebeu passe entre os zagueiros cruzeirenses, invadiu a área e foi ao chão, na disputa de bola com o goleiro Fábio. Mas a arbitragem falhou e paralisou o lance, indicando impedimento inexistente. Depois o erro foi contra a Raposa, aos 30. Thiago Ribeiro recebeu na meia-lua e chutou forte para o fundo das redes, mas o assistente levantou a bandeira e o árbitro anulou o que seria o primeiro gol celeste.
Com o São Paulo visivelmente cansado, os cruzeirenses apostaram em Roger, na vaga de Gilberto, que deixou o campo vaiado pela própria torcida. Ricardo Gomes respondeu substituindo Júnior César por Jorge Wagner e Fernandão por Washington. Aos 38, foi a sorte quem reforçou a zaga tricolor, no chute de Roger que bateu nas duas traves antes de ser afastada pela defesa.
Foi a senha para a festa da pequena torcida tricolor no Mineirão, que no ano passado amargou uma eliminação na mesma fase da Libertadores no mesmo estádio e para o mesmo rival. Primeiro, foram os gritos de 'o campeão voltou', substituídos pelos de 'o Mineirão calou' após o apito final.
CRUZEIRO 0 X 2 SÃO PAULO Fábio, Jonathan, Gil, Thiago Heleno e Diego Renan (Guerrón); Fabrício (Fábio Santos), Henrique, Marquinhos Paraná e Gilberto (Roger); Thiago Ribeiro e Kleber. Rogério Ceni, Cicinho (Jean), Alex Silva, Xandão e Júnior César (Jorge Wagner); Rodrigo Souto, Richarlyson, Hernanes e Marlos; Dagoberto e Fernandão (Wasington).
Técnico: Adilson Batista Técnico: Ricardo Gomes
Gols: Dagoberto, aos 24 minutos do primeiro tempo. Hernanes, aos dez minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Jonathan e Roger (Cruzeiro); Xandão, Richarlyson, Hernanes, Alex Silva e Dagoberto(São Paulo)
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte. Data: 12/05/2010. Árbitro: Oscar Ruiz (COL). Auxiliares: Abraham Gonzalez (COL) e Humberto Clavijo (COL). Público: 48.602 pagantes. Renda: R$ 1.422.892,04.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
seleçao brasileira ou seleçao retranqueira?
Dunga_seleção
Blog dos Colunistas
Blog Mauro Beting
1.
11.mai.2010
Os 23 de Dunga. Que eu gostaria que fossem 13
por Mauro Beting às 14:16h
Júlio César – 100%
Gomes – Eu levaria Fábio, do Cruzeiro. Mas Gomes vive ótimo momento no Tottenham. Foi o primeiro titular de Dunga. É ótimo de grupo. Tem mais cancha internacional. Sem problemas.
Doni – Eu levaria Victor, do Grêmio. Doni não tem jogado pela Roma. Veio de contusão. Mesmo 100%, havia como discuti-lo. Agora, mais ainda.
Maicon – 100%
Daniel Alves – 100%
Lúcio – 100%
Juan – 100%
Thiago Silva – 100%
Luisão – 100%
Gilberto – Eu levaria Roberto Carlos. É muito mais lateral-esquerdo. Tem jogado de lateral-esquerdo, e melhor que qualquer outro brasileiro pelo mundo – Marcelo (Real Madrid incluído). Gilberto fez um ótimo BR-10 – como meia. Não tem jogado tão bem – como meia. Mesmo tendo atuado bem com Dunga (22 jogos), mesmo tendo jogado bem em 2006 contra o Japão (um gol).
Michel Bastos – Eu não levaria um segundo lateral-esquerdo. Preferia mais um homem de frente – já que Thiago Motta poderia quebrar o galho por ali, além de Daniel Alves. Levaria Neymar. Nada contra Michel Bastos. Mas ele não marca tão bem. Tem atuado como meia aberto pela direita ou pela esquerda, no 4-2-3-1 do Lyon. É bom jogador. Mas não caberia no meu Brasil.
Gilberto Silva – Levaria, mas sem muita convicção. Pela importância, caráter e presença, se impõe. Mas não garante o sono.
Felipe Melo – Foi um achado de Dunga em 2009. Mas se perdeu com a Juventus. Para o lugar dele, pelo momento, pela altura, pela capacidade técnica e tática, com o entrosamento com outros interistas, ficaria com Thiago Motta.
Josué – Levaria Denilson, do Arsenal. Mesmo com a contusão na virilha desde 22 de abril. Mas ele já está pronto para atuar. Josué foi capitão do Wolfsburg campeão da Alemanha – há um ano. Ele e o clube, como esperado, não mantiveram o pique. Não é ruim. Mas não parece ser bom o suficiente para tanto. Para ter camisa cativa com Dunga.
Kleberson – Trocaria por Ronaldinho Gaúcho. Algumas das funções dele podem ser desenvolvidas por Ramires. Só jogou dois bons tempos em 2010, pelo Flamengo. Tem a experiência de Copa. Mas há opções melhores e mais ofensivas. Para não dizer brasileiras. E, mesmo Ronaldinho não sendo mais o mesmo, ainda é mais que muitos.
Ramires – 100%
Elano – Jogou 40 vezes com Dunga. Quase sempre muito bem. Mas não vive grande momento no Galatasaray. Embora possa compor a armação pela direita, por dentro, ser eventualmente um volante, e até um lateral pela direita, melhor seria apostar em gente mais ofensiva. Aguda. Jovem e talentosa como Pato. Um nome que já está 100% fisicamente.
Kaká – 100%. Mesmo que ele não esteja 100%.
Júlio Baptista – Já foi utilíssimo. Em 2007. Mas, em 32 jogos pela Roma, só atuou 10 vezes como titular. Não vem bem. Mesmo com toda a bagagem internacional, prefiro o talento de Ganso.
Robinho – 100%
Nilmar – 100%.
Luís Fabiano – 100%
Grafite – Levaria Adriano, mesmo adrianando. Mas Grafite entrou bem contra a Irlanda, é uma grande figura, e um baita exemplo. Mais que tudo, foi levado ao Wolfsburfg por Jorginho, que o indicou ao amigo Felix Magath. O então treinador do clube queria um atacante forte e de mobilidade como ele. E lá foi Grafite escrever sua história na Alemanha. E lá foi Grafite para a Copa.
Enfim, são 10 nomes diferentes da minha lista.
Nunca, em Copa alguma, eu trocaria tantos nomes de uma convocação de um treinador.
E o pior é que acredito que não estou sozinho. Muita gente não vai concordar com minha lista. Mas, quase certamente, também não gostaram da lista de Dunga.
2.
11.mai.2010
Alguns dados a considerar antes da convocação
por Mauro Beting às 11:57h
Na temporada 2009-2010, veja os números de alguns convocáveis por Dunga:
2009/2010
Jogos
Entrou
Gols
Ganso
26
0
12 – 8assistências
Elano
33
7
6 – 3 assistências
J.Baptista
32
22
4 – 0 assistência
Ronaldinho
44
3
13 (7 de pênalti) – + 16 assistências
Kleberson
20
3
2 – 4 assistências
Neymar
25
0
25 – 11 assistências
Adriano
15
0
13 – 3 assistências
Nilmar
35
8
12 – 5 assistências
Categorias:
Copa do Mundo, Seleção Brasileira 17 comentários »
3.
10.mai.2010
Dunga comentarista – Copa-06 – Brasil 0 x 1 França
por Mauro Beting às 15:11h
Dunga pareceu gostar das mudanças de Parreira. Mas está preocupado com a França, que enfim fez uma boa partida contra a Espanha.
3min Dunga não quer Juninho Pernambucano armando mais à frente no 4-3-1-2 proposto por Parreira, com os Ronaldinhos no ataque, Kaká como meia-atacante centralizado, Juninho e Zé Roberto marcando e armando pelos lados, e Gilberto Silva na cabeça da área.
14 Preocupado com Ribéry pela direita, entrando em diagonal entre Juan e Roberto Carlos. A França joga no 4-2-3-1.
15 Elogia mais Ronaldinho [Gaúcho] que o usual.
17 “Brasil tá perdendo muito rápido essa bola. O Juninho entrou para isso, para tocar mais a bola, mas não tá dando certo”.
22 Enfim Dunga acerta o conceito de pressa. “Brasil tem mais pressa que velocidade. Tá afobado”.
24 “Cafu está sozinho. O Brasil não se movimenta e nem se aproxima”. Ele começa a se preocupar que o time. E com inteira razão. Desde o primeiro lance, Zidane brilha e joga sozinho no gramado. Em todos os sentidos.
28 “Brasil não tá marcando bem, não está mais segurando a bola”.
30 “Brasil tem que ter velocidade, não pressa”.
32 “Tá todo mundo querendo resolvAr individualmente”. Dunga está muito preocupado com a Seleção, que não consegue jogar.
34 “Raciocínio tá lento, com a bola e sem a bola. A França domina o jogo”.
36 “Brasil tá lento na marcação, tá dando muito espaço, ninguém se aproxima. O Parreira precisa corrigir. Estamos mal individualmente e coletivamente. O Zidane tá muito livre, e a França sabe jogar”.
41 Dunga desabafa como nunca, e como todo brasileiro naquele momento: “Não vejo a hora que o jogo acabe logo. O que o Zidane tá fazendo é o que o Ronaldinho [Gaúcho] deveria fazer. O Brasil só tá assistindo!”
41 Dunga, como qualquer brasileiro naquela dureza de Frankfurt, mais torce e se contorce que consegue comentar. Dá para ouvi-lo, com o microfone fechado, pedindo para o Brasil sair mais rápido para o ataque. Palavras de Dunga captadas pelo microfone de Luciano do Valle: “Vamos, Roberto Carlos!”. E o lateral, como todo o Brasil, parecia travado, hipnotizado por Zidane.
43 “Brasil tá tomando as decisões erradas. Em vez de chutar, cruza. Em vez de cruzar, chuta”.
44 Dunga reclama do zagueiro Juan. “Ele tá toda hora na frente. Não é para sair toda hora”.
INTERVALO
Dunga demonstra enorme preocupação com o Brasil. Ele e o planeta.
SEGUNDO TEMPO
6min “Se o Brasil continuar dando essa liberdade pro Zidane, ele vai continuar mandando no jogo como quiser”.
7 “Dois da França sozinho (sic)!!!” Ele reclama sempre da marcação na bola parada brasileira, desde o primeiro jogo.
8 “Jogadores do Brasil precisam ter mais decisão, mais atitude”.
11 “Ó, lá!!! Três sozinho (sic)!!! Três sozinho (sic) !!! Foi o que Dunga falou, com o microfone fechado, com a bola viajando da esquerda para a direita, antes de Henry aparecer sozinho, no segundo pau, e anotar o gol francês.
11min09s GOL. 1 X 0 FRANÇA. HENRY. ERAM CINCO FRANCESES CONTRA TRÊS BRASILEIROS DENTRO DA ÁREA, TRÊS RIVAIS SOZINHOS, COMO CANTOU A BOLA DUNGA.
19 “Tá tudo desorganizado. O Brasil não tem organização defensiva e nem ofensiva. Não tem cobertura…”
21 “A única chance do Brasil é se a França cansar”.
25 Em off, microfone desligado, dá para ouvir Dunga reclamando da desorganização brasileira. Ele fala “tá todo perdido. Tá deixando um contra um”. E ele tinha toda razão.
26 “O Brasil não marca. Só faz sombra”.
28 “O Brasil tá previsível. Estático. Ninguém se mexe”. Ele começou a comentar com o microfone desligado. Era o nervosismo de qualquer brasileiro. E, pela primeira vez, Dunga começa a criticar mais abertamente Parreira. Mas com imenso respeito.
30 Dunga só fala do Brasil. Nada comenta dos rivais, dos jogadores que entram e que saem. Só se preocupa com a Seleção. Como 99% dos comentaristas que foram atletas, e 90% dos jornalistas.
31 “O Brasil dá grande liberdade ao Zidane e ele dá uma aula de futebol”.
32 Dunga respeita demais Parreira. Não corneta nenhuma alteração feita. E dificilmente pede a entrada de um jogador.
33 Dunga não dá um chilique. Não havia ninguém do Brasil na defesa. Todo mundo além do meio-campo.
43 Falta perigosa para o Brasil. O único jeito de a Seleção chegar à frente. Antes da cobrança, Dunga abre o bico: “Agora é hora de o gênio desequilibrar”. Mas Ronaldinho bate por cima. Textualmente, foi o maior elogio de Dunga a Ronaldinho. E na pior exibição dele na Copa.
FIM DE JOGO
Como já havia feito no intervalo, Robinho dá um imenso abraço em Zidane, colega de Real Madrid. Dunga dá a letra final:
“Brasil foi um time desorganizado. Deixou a França jogar, deixou o Zidane tomar conta do jogo os 90 minutos. Quando o coletivo não vai bem, a individualidade não vai bem. Nesta Copa, o Brasil se superou sempre pela individualidade. Hoje, o Zidane reuniu os jogadores e organizou a França. Ele foi o grande maestro que mereceu a vitória.
Blog dos Colunistas
Blog Mauro Beting
1.
11.mai.2010
Os 23 de Dunga. Que eu gostaria que fossem 13
por Mauro Beting às 14:16h
Júlio César – 100%
Gomes – Eu levaria Fábio, do Cruzeiro. Mas Gomes vive ótimo momento no Tottenham. Foi o primeiro titular de Dunga. É ótimo de grupo. Tem mais cancha internacional. Sem problemas.
Doni – Eu levaria Victor, do Grêmio. Doni não tem jogado pela Roma. Veio de contusão. Mesmo 100%, havia como discuti-lo. Agora, mais ainda.
Maicon – 100%
Daniel Alves – 100%
Lúcio – 100%
Juan – 100%
Thiago Silva – 100%
Luisão – 100%
Gilberto – Eu levaria Roberto Carlos. É muito mais lateral-esquerdo. Tem jogado de lateral-esquerdo, e melhor que qualquer outro brasileiro pelo mundo – Marcelo (Real Madrid incluído). Gilberto fez um ótimo BR-10 – como meia. Não tem jogado tão bem – como meia. Mesmo tendo atuado bem com Dunga (22 jogos), mesmo tendo jogado bem em 2006 contra o Japão (um gol).
Michel Bastos – Eu não levaria um segundo lateral-esquerdo. Preferia mais um homem de frente – já que Thiago Motta poderia quebrar o galho por ali, além de Daniel Alves. Levaria Neymar. Nada contra Michel Bastos. Mas ele não marca tão bem. Tem atuado como meia aberto pela direita ou pela esquerda, no 4-2-3-1 do Lyon. É bom jogador. Mas não caberia no meu Brasil.
Gilberto Silva – Levaria, mas sem muita convicção. Pela importância, caráter e presença, se impõe. Mas não garante o sono.
Felipe Melo – Foi um achado de Dunga em 2009. Mas se perdeu com a Juventus. Para o lugar dele, pelo momento, pela altura, pela capacidade técnica e tática, com o entrosamento com outros interistas, ficaria com Thiago Motta.
Josué – Levaria Denilson, do Arsenal. Mesmo com a contusão na virilha desde 22 de abril. Mas ele já está pronto para atuar. Josué foi capitão do Wolfsburg campeão da Alemanha – há um ano. Ele e o clube, como esperado, não mantiveram o pique. Não é ruim. Mas não parece ser bom o suficiente para tanto. Para ter camisa cativa com Dunga.
Kleberson – Trocaria por Ronaldinho Gaúcho. Algumas das funções dele podem ser desenvolvidas por Ramires. Só jogou dois bons tempos em 2010, pelo Flamengo. Tem a experiência de Copa. Mas há opções melhores e mais ofensivas. Para não dizer brasileiras. E, mesmo Ronaldinho não sendo mais o mesmo, ainda é mais que muitos.
Ramires – 100%
Elano – Jogou 40 vezes com Dunga. Quase sempre muito bem. Mas não vive grande momento no Galatasaray. Embora possa compor a armação pela direita, por dentro, ser eventualmente um volante, e até um lateral pela direita, melhor seria apostar em gente mais ofensiva. Aguda. Jovem e talentosa como Pato. Um nome que já está 100% fisicamente.
Kaká – 100%. Mesmo que ele não esteja 100%.
Júlio Baptista – Já foi utilíssimo. Em 2007. Mas, em 32 jogos pela Roma, só atuou 10 vezes como titular. Não vem bem. Mesmo com toda a bagagem internacional, prefiro o talento de Ganso.
Robinho – 100%
Nilmar – 100%.
Luís Fabiano – 100%
Grafite – Levaria Adriano, mesmo adrianando. Mas Grafite entrou bem contra a Irlanda, é uma grande figura, e um baita exemplo. Mais que tudo, foi levado ao Wolfsburfg por Jorginho, que o indicou ao amigo Felix Magath. O então treinador do clube queria um atacante forte e de mobilidade como ele. E lá foi Grafite escrever sua história na Alemanha. E lá foi Grafite para a Copa.
Enfim, são 10 nomes diferentes da minha lista.
Nunca, em Copa alguma, eu trocaria tantos nomes de uma convocação de um treinador.
E o pior é que acredito que não estou sozinho. Muita gente não vai concordar com minha lista. Mas, quase certamente, também não gostaram da lista de Dunga.
2.
11.mai.2010
Alguns dados a considerar antes da convocação
por Mauro Beting às 11:57h
Na temporada 2009-2010, veja os números de alguns convocáveis por Dunga:
2009/2010
Jogos
Entrou
Gols
Ganso
26
0
12 – 8assistências
Elano
33
7
6 – 3 assistências
J.Baptista
32
22
4 – 0 assistência
Ronaldinho
44
3
13 (7 de pênalti) – + 16 assistências
Kleberson
20
3
2 – 4 assistências
Neymar
25
0
25 – 11 assistências
Adriano
15
0
13 – 3 assistências
Nilmar
35
8
12 – 5 assistências
Categorias:
Copa do Mundo, Seleção Brasileira 17 comentários »
3.
10.mai.2010
Dunga comentarista – Copa-06 – Brasil 0 x 1 França
por Mauro Beting às 15:11h
Dunga pareceu gostar das mudanças de Parreira. Mas está preocupado com a França, que enfim fez uma boa partida contra a Espanha.
3min Dunga não quer Juninho Pernambucano armando mais à frente no 4-3-1-2 proposto por Parreira, com os Ronaldinhos no ataque, Kaká como meia-atacante centralizado, Juninho e Zé Roberto marcando e armando pelos lados, e Gilberto Silva na cabeça da área.
14 Preocupado com Ribéry pela direita, entrando em diagonal entre Juan e Roberto Carlos. A França joga no 4-2-3-1.
15 Elogia mais Ronaldinho [Gaúcho] que o usual.
17 “Brasil tá perdendo muito rápido essa bola. O Juninho entrou para isso, para tocar mais a bola, mas não tá dando certo”.
22 Enfim Dunga acerta o conceito de pressa. “Brasil tem mais pressa que velocidade. Tá afobado”.
24 “Cafu está sozinho. O Brasil não se movimenta e nem se aproxima”. Ele começa a se preocupar que o time. E com inteira razão. Desde o primeiro lance, Zidane brilha e joga sozinho no gramado. Em todos os sentidos.
28 “Brasil não tá marcando bem, não está mais segurando a bola”.
30 “Brasil tem que ter velocidade, não pressa”.
32 “Tá todo mundo querendo resolvAr individualmente”. Dunga está muito preocupado com a Seleção, que não consegue jogar.
34 “Raciocínio tá lento, com a bola e sem a bola. A França domina o jogo”.
36 “Brasil tá lento na marcação, tá dando muito espaço, ninguém se aproxima. O Parreira precisa corrigir. Estamos mal individualmente e coletivamente. O Zidane tá muito livre, e a França sabe jogar”.
41 Dunga desabafa como nunca, e como todo brasileiro naquele momento: “Não vejo a hora que o jogo acabe logo. O que o Zidane tá fazendo é o que o Ronaldinho [Gaúcho] deveria fazer. O Brasil só tá assistindo!”
41 Dunga, como qualquer brasileiro naquela dureza de Frankfurt, mais torce e se contorce que consegue comentar. Dá para ouvi-lo, com o microfone fechado, pedindo para o Brasil sair mais rápido para o ataque. Palavras de Dunga captadas pelo microfone de Luciano do Valle: “Vamos, Roberto Carlos!”. E o lateral, como todo o Brasil, parecia travado, hipnotizado por Zidane.
43 “Brasil tá tomando as decisões erradas. Em vez de chutar, cruza. Em vez de cruzar, chuta”.
44 Dunga reclama do zagueiro Juan. “Ele tá toda hora na frente. Não é para sair toda hora”.
INTERVALO
Dunga demonstra enorme preocupação com o Brasil. Ele e o planeta.
SEGUNDO TEMPO
6min “Se o Brasil continuar dando essa liberdade pro Zidane, ele vai continuar mandando no jogo como quiser”.
7 “Dois da França sozinho (sic)!!!” Ele reclama sempre da marcação na bola parada brasileira, desde o primeiro jogo.
8 “Jogadores do Brasil precisam ter mais decisão, mais atitude”.
11 “Ó, lá!!! Três sozinho (sic)!!! Três sozinho (sic) !!! Foi o que Dunga falou, com o microfone fechado, com a bola viajando da esquerda para a direita, antes de Henry aparecer sozinho, no segundo pau, e anotar o gol francês.
11min09s GOL. 1 X 0 FRANÇA. HENRY. ERAM CINCO FRANCESES CONTRA TRÊS BRASILEIROS DENTRO DA ÁREA, TRÊS RIVAIS SOZINHOS, COMO CANTOU A BOLA DUNGA.
19 “Tá tudo desorganizado. O Brasil não tem organização defensiva e nem ofensiva. Não tem cobertura…”
21 “A única chance do Brasil é se a França cansar”.
25 Em off, microfone desligado, dá para ouvir Dunga reclamando da desorganização brasileira. Ele fala “tá todo perdido. Tá deixando um contra um”. E ele tinha toda razão.
26 “O Brasil não marca. Só faz sombra”.
28 “O Brasil tá previsível. Estático. Ninguém se mexe”. Ele começou a comentar com o microfone desligado. Era o nervosismo de qualquer brasileiro. E, pela primeira vez, Dunga começa a criticar mais abertamente Parreira. Mas com imenso respeito.
30 Dunga só fala do Brasil. Nada comenta dos rivais, dos jogadores que entram e que saem. Só se preocupa com a Seleção. Como 99% dos comentaristas que foram atletas, e 90% dos jornalistas.
31 “O Brasil dá grande liberdade ao Zidane e ele dá uma aula de futebol”.
32 Dunga respeita demais Parreira. Não corneta nenhuma alteração feita. E dificilmente pede a entrada de um jogador.
33 Dunga não dá um chilique. Não havia ninguém do Brasil na defesa. Todo mundo além do meio-campo.
43 Falta perigosa para o Brasil. O único jeito de a Seleção chegar à frente. Antes da cobrança, Dunga abre o bico: “Agora é hora de o gênio desequilibrar”. Mas Ronaldinho bate por cima. Textualmente, foi o maior elogio de Dunga a Ronaldinho. E na pior exibição dele na Copa.
FIM DE JOGO
Como já havia feito no intervalo, Robinho dá um imenso abraço em Zidane, colega de Real Madrid. Dunga dá a letra final:
“Brasil foi um time desorganizado. Deixou a França jogar, deixou o Zidane tomar conta do jogo os 90 minutos. Quando o coletivo não vai bem, a individualidade não vai bem. Nesta Copa, o Brasil se superou sempre pela individualidade. Hoje, o Zidane reuniu os jogadores e organizou a França. Ele foi o grande maestro que mereceu a vitória.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Ultraje a Rigor
História
Por que Ultraje a Rigor? O Ultraje a Rigor foi formado no final de 1980, inicialmente como uma banda de covers, principalmente Beatles, rock dos anos 60, punk e new wave. Depois de algumas formações provisórias, Roger, Leôspa, Sílvio e Edgard começaram a se apresentar em festas e barzinhos. Em 1982, ainda sem um nome fixo, decidiram por Ultraje a rigor, já que nunca eram muito fiéis às versões originais dos covers que faziam, frequentemente avacalhados ou distorcidos. O nome Ultraje a Rigor foi escolhido meio por acaso. Roger e Leôspa estavam tentando achar um nome durante uma festa em que se apresentavam. Roger sugeriu Ultraje, mas achava meio punk demais (para a época, pelo menos). Roger então perguntou a Edgard, que chegou no meio da conversa, o que ele achava de Ultraje. Edgard, sem entender direito a pergunta, disse: "que traje? O traje a rigor?" Roger e Leôspa adoraram e adotaram então este nome. Logo depois, Sílvio sairia, entrando Maurício em seu lugar (Foto 1).
Inútil- Com esta formação, em abril de '83 participaram do projeto Bôca no Trombone, do Teatro Lira Paulistana, em São Paulo, seu primeiro show só com composições próprias. Foram contratados após uma das apresentações pelo produtor Pena Schmidt, na época contratando grupos para a WEA. Gravaram seu primeiro compacto, Inútil/Mim quer tocar, que, por problemas com a Censura, só saiu em outubro daquele ano. Após a gravação do compacto, agora fazendo mais shows, Edgard, já na época com o Ira (ainda sem ponto de exclamação), não pôde mais dividir-se entre os dois grupos. Para o seu lugar foi chamado Carlinhos. Com esta formação (Foto 2),gravaram seu segundo compacto, Eu me amo/ Rebelde sem Causa, em '84. "Eu me amo" foi bem nas rádios, impulsionado um pouco pela polêmica coincidência de refrões com a música Egotrip, da Blitz. Mas o lado B do compacto, que começou a tocar no começo de '85 foi que detonou a explosão do Ultraje.
Nós vamos invadir sua praia- Seu primeiro LP, "Nós Vamos Invadir sua Praia", lançado a seguir e puxado inicialmente por " Ciúme", foi um enorme sucesso. Foi o primeiro LP de rock nacional a conseguir discos de ouro e platina. Das 11 músicas do disco, 9 foram amplamente executadas e o Ultraje quebrou recordes de público em diversas casas de shows no Brasil inteiro. No começo de '86, gravaram um EP chamado " Liberdade para Marylou ", com uma versão remixada de "Nós vamos invadir sua Praia", O "Hino dos Cafajestes" e a música " Marylou" gravada em ritmo de carnaval e com as frases censuradas substituídas por frases de trombone. "Marylou" arrebentou nos bailes de carnaval daquele ano e até hoje continua sendo tocada quase como um clássico de carnaval. Já em '87, gravaram seu segundo LP, " Sexo!! ". Durante a gravação deste disco, Carlinhos, que já pensava em mudar-se para Los Angeles para formar sua própria banda (o que acabou fazendo), saiu para dar lugar a Sérgio Serra na guitarra. (Foto 3). O disco foi tão bem sucedido quanto o primeiro, quebrando um tabu da indústria fonográfica, que ditava que um primeiro disco que vendesse muito bem era sempre sucedido por um fracasso. Isso não aconteceu. O disco foi lançado com um show-surpresa histórico na Avenida Paulista, uma das principais avenidas de S. Paulo, provocando um congestionamento de vários quilômetros. Nova tournée por todo o Brasil, novas músicas estouradas nas rádios e nada de férias, desde '84.
Stress - Em '89, amadurecidos e um pouco estressados pelas longas tournées, gravaram " Crescendo, seu terceiro LP. O disco vendeu bem, mas a mídia já não estava tão interessada no Ultraje, após 4 anos de sucesso ininterrrupto. Mesmo assim, o Ultraje ainda provocava polêmica, ao provocar o anunciado fim da Censura oficial com a música " Filha da Puta ". Palavrões não eram coisa comum naquela época, muito menos num refrão. Logicamente, a música foi censurada extra oficialmente em diversas rádios e em programas de TV, o que também atrapalhou na divulgação do disco. Outras músicas, com palavrões leves ou temas picantes, como " O Chiclete" e " Volta Comigo, que fala de adultério, também tiveram a execução prejudicada. Em '90, o Ultraje volta às origens e lança " Por Quê Ultraje a rigor? ", um disco de covers que faziam parte de seu repertório original. Maurício, casado com uma americana, muda-se para Miami (onde vive até hoje) e Andria Busic entra em seu lugar provisoriamente, sendo substituído por Oswaldo um mês depois (Foto 4). Quase um ano de tournée depois, e Roger percebe que o Ultraje já não era a mesma coisa. Leôspa, casado, já não tinha mais a mesma disposição para viajar e ensaiar, Sérgio Serra queria sair para formar sua própria banda e Oswaldo preferia trabalhar em seu estúdio profissional. Após uma conversa com Leôspa (que hoje mora em Ubatuba), decide procurar novos integrantes que quisessem continuar o Ultraje a rigor.
A nova formação - Procurando em bares e shows de bandas iniciantes, encontra Flávio Suete, baterista que tocava com a banda Nem e com o Central Scrutinizer Band, cover de Frank Zappa. Flávio indica Serginho Petroni, baixista com o Zappa cover. Juntos, começam a fazer audições para novos guitarristas. Após meses de ensaio e procura, acabam encontrando Heraldo Paarmann, por meio de um anúncio informal na Rádio Brasil 2000. Continuam com os ensaios e uns poucos shows para entrosamento. Em 1992, contra a vontade do grupo, a gravadora lança uma coletânea, "O mundo encantado do Ultraje a Rigor", sendo a palavra "encantado" uma ironia de Roger com relação ao encanto dos primeiros anos e as dificuldades com a gravadora, em relação a novos projetos. Apesar de ser uma coletânea, o disco tem duas faixas inéditas gravadas com esta formação (Foto 5), além de algumas gravações diferentes de sucessos anteriormente lançados. Ainda em '92, revoltados com o descaso da gravadora com o grupo, gravam de maneira independente "Ah, se eu fôsse homem…", uma divertida divagação sobre as dificuldades encontradas pelos homens frente à nova posição da mulher pós-movimentos feministas. A fita com esta música, distribuída às rádios pelo próprio grupo, acaba provocando a reação esperada. Em '93, num clima já tenso com a gravadora, lançam ""Ó!", seu sexto LP, o quarto com músicas inéditas, gravado às pressas e com orçamento pequeno, por imposição da gravadora. Foi um disco um pouco estranho, ainda pouco entrosado com relação a estilo e praticamente ignorado pelo departamento de divulgação da Warner. Teve um clip de sucesso na MTV, "(Acontece toda vez que eu ico) Apaixonado" e sucesso discreto na mídia e nas lojas, embora tenha agradado seus fãs mais fiéis e conseguido alguns novos fãs. Em '95, nova coletânea, dessa vez, sem nem o conhecimento do grupo, foi lançada. Faz parte de uma série chamada "Geração Pop". Em '96, também de surpresa para a banda, lançaram uma série chamada "O Melhor do Ultraje a Rigor/2 é Demais!", reunindo os dois primeiros LPs do Ultraje, sem as faixas bônus dos CDs originais. Sem nunca se incomodar em avisar a banda, mas já não "de surpresa", a Warner lança mais duas coletâneas, em '97 "Pop Brasil", na verdade uma reedição do Geração Pop com menos músicas e em '98 " Ultraje a Rigor Vol. 2 / 2 é Demais!" com o terceiro e quarto discos da banda reunidos em um CD e, mais uma vez, sem as faixas bônus originais.
O Presente - O Ultraje a rigor continua fazendo shows pelo Brasil e assinou contrato com a Deckdisc/Abril Music para lançar " 18 anos sem tirar!", um disco ao vivo, com algumas canções inéditas gravadas em estúdio, como a bastante tocada nos rádios Nada a Declarar.
Por que Ultraje a Rigor? O Ultraje a Rigor foi formado no final de 1980, inicialmente como uma banda de covers, principalmente Beatles, rock dos anos 60, punk e new wave. Depois de algumas formações provisórias, Roger, Leôspa, Sílvio e Edgard começaram a se apresentar em festas e barzinhos. Em 1982, ainda sem um nome fixo, decidiram por Ultraje a rigor, já que nunca eram muito fiéis às versões originais dos covers que faziam, frequentemente avacalhados ou distorcidos. O nome Ultraje a Rigor foi escolhido meio por acaso. Roger e Leôspa estavam tentando achar um nome durante uma festa em que se apresentavam. Roger sugeriu Ultraje, mas achava meio punk demais (para a época, pelo menos). Roger então perguntou a Edgard, que chegou no meio da conversa, o que ele achava de Ultraje. Edgard, sem entender direito a pergunta, disse: "que traje? O traje a rigor?" Roger e Leôspa adoraram e adotaram então este nome. Logo depois, Sílvio sairia, entrando Maurício em seu lugar (Foto 1).
Inútil- Com esta formação, em abril de '83 participaram do projeto Bôca no Trombone, do Teatro Lira Paulistana, em São Paulo, seu primeiro show só com composições próprias. Foram contratados após uma das apresentações pelo produtor Pena Schmidt, na época contratando grupos para a WEA. Gravaram seu primeiro compacto, Inútil/Mim quer tocar, que, por problemas com a Censura, só saiu em outubro daquele ano. Após a gravação do compacto, agora fazendo mais shows, Edgard, já na época com o Ira (ainda sem ponto de exclamação), não pôde mais dividir-se entre os dois grupos. Para o seu lugar foi chamado Carlinhos. Com esta formação (Foto 2),gravaram seu segundo compacto, Eu me amo/ Rebelde sem Causa, em '84. "Eu me amo" foi bem nas rádios, impulsionado um pouco pela polêmica coincidência de refrões com a música Egotrip, da Blitz. Mas o lado B do compacto, que começou a tocar no começo de '85 foi que detonou a explosão do Ultraje.
Nós vamos invadir sua praia- Seu primeiro LP, "Nós Vamos Invadir sua Praia", lançado a seguir e puxado inicialmente por " Ciúme", foi um enorme sucesso. Foi o primeiro LP de rock nacional a conseguir discos de ouro e platina. Das 11 músicas do disco, 9 foram amplamente executadas e o Ultraje quebrou recordes de público em diversas casas de shows no Brasil inteiro. No começo de '86, gravaram um EP chamado " Liberdade para Marylou ", com uma versão remixada de "Nós vamos invadir sua Praia", O "Hino dos Cafajestes" e a música " Marylou" gravada em ritmo de carnaval e com as frases censuradas substituídas por frases de trombone. "Marylou" arrebentou nos bailes de carnaval daquele ano e até hoje continua sendo tocada quase como um clássico de carnaval. Já em '87, gravaram seu segundo LP, " Sexo!! ". Durante a gravação deste disco, Carlinhos, que já pensava em mudar-se para Los Angeles para formar sua própria banda (o que acabou fazendo), saiu para dar lugar a Sérgio Serra na guitarra. (Foto 3). O disco foi tão bem sucedido quanto o primeiro, quebrando um tabu da indústria fonográfica, que ditava que um primeiro disco que vendesse muito bem era sempre sucedido por um fracasso. Isso não aconteceu. O disco foi lançado com um show-surpresa histórico na Avenida Paulista, uma das principais avenidas de S. Paulo, provocando um congestionamento de vários quilômetros. Nova tournée por todo o Brasil, novas músicas estouradas nas rádios e nada de férias, desde '84.
Stress - Em '89, amadurecidos e um pouco estressados pelas longas tournées, gravaram " Crescendo, seu terceiro LP. O disco vendeu bem, mas a mídia já não estava tão interessada no Ultraje, após 4 anos de sucesso ininterrrupto. Mesmo assim, o Ultraje ainda provocava polêmica, ao provocar o anunciado fim da Censura oficial com a música " Filha da Puta ". Palavrões não eram coisa comum naquela época, muito menos num refrão. Logicamente, a música foi censurada extra oficialmente em diversas rádios e em programas de TV, o que também atrapalhou na divulgação do disco. Outras músicas, com palavrões leves ou temas picantes, como " O Chiclete" e " Volta Comigo, que fala de adultério, também tiveram a execução prejudicada. Em '90, o Ultraje volta às origens e lança " Por Quê Ultraje a rigor? ", um disco de covers que faziam parte de seu repertório original. Maurício, casado com uma americana, muda-se para Miami (onde vive até hoje) e Andria Busic entra em seu lugar provisoriamente, sendo substituído por Oswaldo um mês depois (Foto 4). Quase um ano de tournée depois, e Roger percebe que o Ultraje já não era a mesma coisa. Leôspa, casado, já não tinha mais a mesma disposição para viajar e ensaiar, Sérgio Serra queria sair para formar sua própria banda e Oswaldo preferia trabalhar em seu estúdio profissional. Após uma conversa com Leôspa (que hoje mora em Ubatuba), decide procurar novos integrantes que quisessem continuar o Ultraje a rigor.
A nova formação - Procurando em bares e shows de bandas iniciantes, encontra Flávio Suete, baterista que tocava com a banda Nem e com o Central Scrutinizer Band, cover de Frank Zappa. Flávio indica Serginho Petroni, baixista com o Zappa cover. Juntos, começam a fazer audições para novos guitarristas. Após meses de ensaio e procura, acabam encontrando Heraldo Paarmann, por meio de um anúncio informal na Rádio Brasil 2000. Continuam com os ensaios e uns poucos shows para entrosamento. Em 1992, contra a vontade do grupo, a gravadora lança uma coletânea, "O mundo encantado do Ultraje a Rigor", sendo a palavra "encantado" uma ironia de Roger com relação ao encanto dos primeiros anos e as dificuldades com a gravadora, em relação a novos projetos. Apesar de ser uma coletânea, o disco tem duas faixas inéditas gravadas com esta formação (Foto 5), além de algumas gravações diferentes de sucessos anteriormente lançados. Ainda em '92, revoltados com o descaso da gravadora com o grupo, gravam de maneira independente "Ah, se eu fôsse homem…", uma divertida divagação sobre as dificuldades encontradas pelos homens frente à nova posição da mulher pós-movimentos feministas. A fita com esta música, distribuída às rádios pelo próprio grupo, acaba provocando a reação esperada. Em '93, num clima já tenso com a gravadora, lançam ""Ó!", seu sexto LP, o quarto com músicas inéditas, gravado às pressas e com orçamento pequeno, por imposição da gravadora. Foi um disco um pouco estranho, ainda pouco entrosado com relação a estilo e praticamente ignorado pelo departamento de divulgação da Warner. Teve um clip de sucesso na MTV, "(Acontece toda vez que eu ico) Apaixonado" e sucesso discreto na mídia e nas lojas, embora tenha agradado seus fãs mais fiéis e conseguido alguns novos fãs. Em '95, nova coletânea, dessa vez, sem nem o conhecimento do grupo, foi lançada. Faz parte de uma série chamada "Geração Pop". Em '96, também de surpresa para a banda, lançaram uma série chamada "O Melhor do Ultraje a Rigor/2 é Demais!", reunindo os dois primeiros LPs do Ultraje, sem as faixas bônus dos CDs originais. Sem nunca se incomodar em avisar a banda, mas já não "de surpresa", a Warner lança mais duas coletâneas, em '97 "Pop Brasil", na verdade uma reedição do Geração Pop com menos músicas e em '98 " Ultraje a Rigor Vol. 2 / 2 é Demais!" com o terceiro e quarto discos da banda reunidos em um CD e, mais uma vez, sem as faixas bônus originais.
O Presente - O Ultraje a rigor continua fazendo shows pelo Brasil e assinou contrato com a Deckdisc/Abril Music para lançar " 18 anos sem tirar!", um disco ao vivo, com algumas canções inéditas gravadas em estúdio, como a bastante tocada nos rádios Nada a Declarar.
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