quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A briga de José Serra com um padre no Ceará - Sérgio Morenno

A briga de José Serra com um padre no Ceará - Sérgio Morenno: "A briga de José Serra com um padre no Ceará


(Foto tirada poucos instantes antes do tumulto)

17/10/2010

Panfleto ligado a tucanos contra Dilma Rousseff causa confusão ao fim da missa de São Francisco em Canindé

A campanha de José Serra no Estado do Ceará terminou com tumulto, ontem à tarde, na gruta da Basílica de Canindé, onde foi celebrada missa dentro dos festejos em homenagem a São Francisco. O motivo da confusão foi a manifestação do celebrante que, mostrando um panfleto entregue por militantes da campanha do tucano dizia que a adversária de Serra, neste segundo turno, Dilma Rousseff (PT), era a favor do aborto. O sacerdote disse que distribuição daquele material não poderia ser atribuída à Igreja.

Irritação

As declarações do padre geraram irritação ao senador Tasso Jereissati (PSDB). Primeiro, o tucano disse que o pároco não poderia fazer tal ação em nome da Igreja, acrescentando que 'isso é uma atitude não cristã. Lamento, porque venho aqui desde criança e nunca vi um sermão desse jeito'. Tasso declarou que não se sentia constrangido pelo sermão do padre, mas sim pelas bandeiras do Partido dos Trabalhadores (PT) que estavam fora do recinto.

O clima de constrangimento já era visível logo no início da celebração. Poucos minutos depois de José Serra chegar à missa, acompanhado do senador Tasso Jereissati, do ex-governador Lúcio Alcântara (PR) e de outros correligionários, o padre lamentou que algumas pessoas não foram à Igreja com o objetivo de acompanhar a cerimônia. 'Se alguém veio com uma outra intenção é melhor se retirar. Não defendo bandeira A ou B, mas a do evangelho', ressaltou, pedindo respeito aos demais presentes que foram ao recinto não para ver o pároco ou aos políticos, mas a São Francisco.

Depois da advertência do padre, a missa transcorreu com naturalidade, até o momento da Comunhão. Após José Serra, Tasso Jereissati e Lúcio Alcântara comungarem, romeiros que estavam na missa, pediam para tirar fotos com os políticos. Tais manifestações geraram novamente irritação ao pároco. 'As pessoas que estão fazendo imagem, não é assim que se vê política. Isso é profanação. É lamentável, as pessoas querem comungar e não podem', colocou.

Panfleto

Minutos depois, o padre apresentou o panfleto que estava sendo entregue por manifestantes do PSDB aos presentes na Igreja e pela cidade de Canindé. Ao erguer o panfleto, ele declarou que 'estão distribuindo isso aqui (o panfleto) como se fosse da Igreja, o que não é verdade. Não é assim que se faz política, não em nome da Igreja', reforçou. Com a manifestação do padre, o senador Tasso Jereissati se dirigiu às proximidades do altar e afirmou que 'o senhor não pode fazer isso', ressaltou. No mesmo momento, José Serra saiu do recinto acompanhado de aliados do PSDB e PR.

O panfleto denunciado pelo pároco, entregue por militantes do PSDB em Canindé, estava intitulado “Juntos pela vida”, com as cores azul e amarelo do PSDB. Porém, o mesmo estava sendo colocado sob responsabilidade do Instituto Vida de Responsabilidade Social, inclusive contendo número de CNPJ e tiragem de 5000 unidades. O documento explicava os “três grandes motivos para não votar na Dilma”. O panfleto ainda colocava que “nós cristãos, estamos chamando você, homem e mulher de bem do Ceará, para fazer parte desta luta contra as grandes ameaças a vida dos brasileiros”, aborda o texto.

Os três pontos abordados no panfleto eram aborto; drogas, armas e morte e a corrupção. No primeiro cita a suposta posição favorável do PT e de Dilma à descriminalização do aborto. O seguinte faz ilações sobre o Partido dos Trabalhadores com as FARC da Colômbia. E o último aborda de forma generalizada todos os escândalos de corrupção do governo Lula, entre os quais o mensalão e o do tráfico de influência de Erenice Guerra na Casa Civil.

Antes de assistir à missa de São Francisco na gruta da Basílica de Canindé, o tucano participou de um ato político envolvendo dirigentes apoiadores de Serra no Estado, como PR, PPS, DEM e PMN. Também esteve presente o senador Mão Santa (PSC/PI), que, este ano, não conseguiu se reeleger. Em seu discurso, José Serra afirmou que iria tirar do papel as obras que ainda não foram iniciadas e outras não concluídas como Refinaria, Siderúrgica e o Metrofor. Serra aproveitou o ensejo para enaltecer a parceria de ambos quando ele foi ministro do Planejamento e Tasso governador do Ceará. “Nós construímos o Porto do Pecém e Castanhão, essas são obras que terminaram e não obras de saliva”, disse.


Por causa do episódio, autoridades eclesiásticas brasileira pretendem encaminhar relato do ocorrido ao Papa Bento II.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Rogério Ceni a história de um mito !

a história de um mito e seus 20 anos de trabalho e dedicação
Títulos, recordes e a adoração cada vez maior da torcida. Após vencer a maior lesão da carreira, goleiro comemora marca jogando o fino da bola




Um mito debaixo das traves. Uma máquina de conquistar títulos e quebrar recordes. No São Paulo, ninguém tem números tão expressivos quanto Rogério Ceni. Jogador com maior número de partidas disputadas (924), com o maior número de títulos oficiais conquistados (14), maior artilheiro do clube na história da Taça Libertadores da América (11 gols) e recordista de minutos sem tomar gols no Campeonato Brasileiro (988).

Os recordes se estendem para longe do Morumbi, afinal Rogério é o maior goleiro artilheiro do mundo (90 gols), recordista de jogos no Campeonato Brasileiro (403), foi eleito o craque do Nacional de 2007 e se tornou o único a jogador da América do Sul, em toda a história, a ter participado da eleição final da revista France Football para a eleição da Bola de Ouro (melhor jogador do mundo). Terminou na 27ª colocação na temporada 2007.

Nesta terça-feira, o paranaense de Pato Branco, aos 37 anos, marido de Sandra e pai das gêmeas Clara e Beatriz, hoje com cinco anos, escreverá o capítulo mais nobre de sua história como jogador ao completar 20 anos no clube do Morumbi. Ou, como o próprio camisa 1 diz, a sua segunda casa.
rogério Ceni são paulo placaRogério Ceni recebe placa do São Paulo (Foto: Marcelo Prado / Globoesporte.com)

- Eu só tenho a agradecer, principalmente porque o São Paulo é uma extensão da minha vida. Como minha esposa, minhas filhas, tudo que conquistei devo a esse clube. Agradeço ao São Paulo porque todos trabalham para esse clube ser cada vez maior. São 20 anos de muito trabalho, de um trabalho que cada vez me dá mais prazer. Faço tudo aqui com muito carinho, com muito amor – lembrou o jogador, emocionado após receber a placa da diretoria na manhã da última segunda-feira, no salão nobre do estádio do Morumbi.
CONFIRA OS DEZ JOGADORES QUE MAIS TEMPO VESTIRAM A CAMISA DO SÃO PAULO
NOME POSIÇÃO TEMPO DE CLUBE
Rogério Ceni Goleiro 20 anos
Teixeirinha Atacante 16 anos e 7 meses
De Sordi Zagueiro 13 anos e 7 meses
José Poy Goleiro 12 anos e 10 meses
Roberto Dias Zagueiro 12 anos e 3 meses
Mauro Zagueiro 12 anos e 1 mês
King Goleiro 11 anos
Savério Zagueiro 11 anos
Remo Meia-atacante 10 anos e 11 meses
Waldir Peres Goleiro 10 anos e 11 meses






Muita coisa mudou em duas décadas. Menos a paixão entre Ceni e o São Paulo

Em duas décadas, muita coisa mudou. O Brasil ainda não conhecia a internet, nem o telefone celular. O mundo assistia ao confronto entre Iraque e Kuwait, que, poucos meses depois, se transformaria na Guerra do Golfo. Ainda existia a União Soviética, que seria dissolvida um ano depois. No esporte, Ayrton Senna brigava pelo bicampeonato mundial contra Alain Prost e a Seleção Brasileira amargava um jejum de 20 anos sem ganhar uma Copa do Mundo. Nesse período, Rogério Ceni seguiu fazendo a mesma coisa e o mesmo trajeto todos os dias.

- É uma coisa engraçada pensar no que mudou em 20 anos. Hoje, estou mais experiente, mais careca (risos). Os anos foram caminhando, e a minha paixão pelo São Paulo só foi aumentando. Hoje, não consigo me imaginar jogando futebol sem ser com a camisa do São Paulo. Meu carro parece que está sempre no automático, vai sozinho para o CT. Vestir essa camisa é algo que dá motivação todos os dias e não tenho dúvida de que isso vai acontecer até o último dia da minha carreira - afirmou.

Nesses 20 anos, Rogério viveu imensas alegrias. Conquistou títulos, contabilizou recordes, chegou à Seleção Brasileira. Mas também teve decepções. Por duas oportunidades, essa história que hoje completa Bodas de Porcelana esteve perto de não acontecer. Por isso, o GLOBOESPORTE.COM montou uma linha do tempo para enumerar os principais fatos da carreira de um dos maiores nomes da história do clube do Morumbi.

Pressão logo no primeiro teste
Quinta-feira, 6 de setembro de 1990. Por influência de um conselheiro, Rogério Ceni deixou para trás propostas do Santos, Bragantino e Ferroviária e veio para a capital paulista para fazer um teste no São Paulo. Com 17 anos, a cidade grande já deixou o garoto muito assustado.

- Quando cheguei à cidade, uma das primeiras coisas que eu vi foi o estádio do Morumbi. E era algo de outro mundo, gigante, impressionante. Principalmente porque, três dias depois do teste, foi lá que fui morar por quatro anos. Hoje, como moro perto, passo todo dia em frente e acho a coisa mais normal do mundo – afirmou, rindo.

Voltando ao teste, Rogério Ceni fez aquecimento com o então preparador físico Sérgio Rocha e depois fez alguns trabalhos com o preparador de goleiros dos juniores, Gilberto. No intervalo, veio a oportunidade.

- O Forlán (Pablo, ex-jogador) era o técnico. Foi alguns meses antes do Telê chegar. O Gilberto fez alguns trabalhos específicos. Olhei para o campo onde o time principal treinava e vi o Gilmar de um lado e o Zetti do outro. Tinha eu e o Marcos como opções. Fui superbem, mas me lembro que tomei um golaço do Leonardo, de cavadinha. Ele saiu cara a cara comigo, eu tapei o canto e ele mandou por cima. Mas esse teste nunca vai sair da minha cabeça. Quando cheguei, não sabia o que aconteceria. E, minutos depois, estava num coletivo do time principal. No dia 7, fui ao Morumbi preencher toda a papelada e, dois dias depois, já estava morando no time do Morumbi - lembrou o goleiro.
Sérgio Baresi Rogério Ceni São Paulo 1992Rogério Ceni e Sérgio Baresi foram companheiros
na Copinha de 1992 (Foto: Gazeta Press)

Rogério não demorou muito e subiu para o time júnior. Em 1992, subiu para o time profissional, como terceiro goleiro, já que o reserva imediato de Zetti, Alexandre, havia morrido em um acidente de carro. No ano seguinte, voltou aos juniores para disputar e conquistar a Copa São Paulo daquele ano contra o Corinthians. Curiosamente, naquele time estava o zagueiro Sérgio Baresi, que hoje comanda o time profissional. Quando retornou ao profissional, logo depois, foi oficializado como reserva imediato de Zetti. No mesmo ano, fez sua estreia no time de cima, no troféu Santiago de Compostela, na partida contra o Tenerife, que terminou 4 a 1 para o Tricolor.
Sérgio Baresi Rogério Ceni São Paulo 1992
Paciência, paciência, paciência

De 1994 a 1996, Rogério teve de aprender a desenvolver a paciência, já que Zetti vivia a melhor fase da sua carreira. Foram 205 longas partidas na reserva. Ele atuou apenas na Copa Conmebol, quando Muricy Ramalho utilizou o time reserva, carinhosamente chamado de “Expressinho”. Até que, em junho de 1996, seis meses antes do fim do seu contrato, Ceni recebeu proposta do Goiás para ser titular e ganhar três vezes mais o que recebia no clube do Morumbi.

- Eu respeitava muito o Zetti, mas queria jogar. Fui ao presidente Fernando Casal Del Rey e apresentei a proposta. Ele me disse para ter paciência que, no final do ano, o Zetti ganharia passe livre como uma forma de reconhecer tudo de bom que ele fez para o clube. E que, quando isso acontecesse, eu viraria titular. Nessa conversa, renovei meu contrato por dois anos e tudo que o presidente havia dito, aconteceu.

Nos treinamentos, Rogério crescia cada vez mais de produção e também se destacava com a bola nos pés. Um dia, começou a treinar faltas e, animado com os resultados, resolveu que tentaria se aperfeiçoar. Em determinados treinos, chegava a bater 40, 50 faltas. E o que ele tanto sonhava aconteceu no dia 15 de fevereiro, quando autorizado pelo então técnico Muricy Ramalho, foi ao ataque e, com uma cobrança perfeita, no canto esquerdo do goleiro Adinan, Ceni marcava seu primeiro gol de falta.

Rota de colisão com o presidente em 2001 quase o levou para o Cruzeiro

Em 2001, certamente Rogério Ceni viveu seu momento mais difícil dentro do clube. O então presidente Paulo Amaral acusou o jogador de inventar uma suposta proposta do Arsenal (ING) para ganhar aumento salarial. As duas partes entraram em rota de colisão, e o goleiro foi suspenso por 29 dias, quando também não recebeu salários. Até hoje, ele não esconde o incômodo com tudo o que ocorreu.

- Nunca mais tive contato com ele (Paulo Amaral) e nem quero ter. Guardo ressentimento de como ele tratou a questão. Não tinha por que ser assim. Quando o Juvenal assumiu, eu recebi uma proposta da Grécia e levei ao conhecimento do presidente, que preferiu não me vender O outro foi intransigente. Hoje, cada um tem sua importância no clube. Ele representa o clube apenas pelos dois anos em que foi presidente. Se eu pudesse, falava toda a verdade dessa história. Mas é melhor eu ficar quieto - afirmou.

Nessa época, Ceni esteve a um passo de se transferir para o Cruzeiro. Seria trocado por André e o clube mineiro ainda dava uma excelente compensação financeira. O negócio acabou não saindo e, na eleição seguinte, Paulo Amaral foi derrotado por Marcelo Portugal Gouvêa que, em um dos seus primeiros atos, renovou o contrato do camisa 1.

Anos gloriososos atos, renovou o contrato do camisa 1.
Anos gloriosos

Rogério Ceni Libertadores 2005
Rogério Ceni Libertadores 2005Ceni na Libertadores de 2005 (Foto: Reuters)

Passada essa turbulência, Ceni então virou o símbolo de uma equipe que, após ter passado anos brigando apenas pelo título estadual, voltou a se destacar no cenário nacional e sul-americano. Em 2003, o time garantiu o direito de voltar a disputar a Libertadores, o que não acontecia desde 1994. Em 2004, apesar da queda na semifinal diante do Once Caldas, a certeza de que o time estava no cominho certo. E isso acabou se comprovando em 2005, com os títulos paulista, da Taça Libertadores e do Campeonato Mundial de Clubes.

Entre 2006 e 2008, o São Paulo foi soberano no Brasil, conquistou o tricampeonato nacional e tornou-se o único time a ter seis títulos brasileiros. Em 2009, Ceni conheceu a pior lesão da sua carreira ao quebrar o tornozelo esquerdo num treinamento. Foram quatro meses de uma longa ausência. Hoje ele celebra o fato de voltar a atuar em alto nível. Em 2010, apesar da seca de títulos da equipe, ele contabilizou mais um recorde para sua carreira: o de maior artilheiro da história do clube na Taça Libertadores da América, com 11 gols.

Todo esse sucesso faz um senhor de 72 anos ir às lágrimas quando fala do filho. Em Sinop, onde mora o seu Eurydes, disse que seu coração está saindo pela boca de tanta alegria pelo sucesso de Rogério Ceni no São Paulo.

- Eu sou suspeito para falar do meu filho. Além de um filho maravilhoso, é um pai maravilhoso, tem um carinho muito grande com as filhas. Como jogador, não há o que dizer, os fatos e recordes dizem por si só. O Kiko (apelido do filho) é um privilegiado. No ano passado, quando ele se machucou e muitos duvidaram da sua recuperação, conversamos e senti muita vontade. Não tinha dúvida de que ele voltaria ainda melhor. E foi o que aconteceu. Vou fazer questão de ligar para ele e falar tudo que tenho vontade. O problema é que sou emotivo, vou chorar. Mas não tem importância. Ele merece tudo que a vida está lhe dando - concluiu o pai, feliz da vida.


Bate bola com o capitão são-paulino

O que falta ainda conquistar no São Paulo?

Difícil dizer. Afinal, tudo que podia viver no São Paulo, eu vivi. Tenho grandes conquistas, tricampeonato brasileiro, sete anos seguidos na Libertadores, coisa que ninguém fez no nosso país. É claro que se dá muito valor a títulos. Mas o São Paulo cresceu demais. O CT de Cotia é algo impressionante. Sexta-feira passada estive no Morumbi, onde vivi por quatro anos, e fiquei absolutamente surpreso com tudo que vi. É um progesso muito grande. O São Paulo vem crescendo muito, apesar dos resultados não serem tão bons. Mas eu quero ganhar sempre mais, quero poder disputar uma nova oportunidade e ser tricampeão, coisa que ninguém fez até hoje.

Alguém vai quebrar a sua marca de 20 anos?

Alguém vai alcançar essa marca. Vai surgir alguém, sem dúvida, mas não sei se alguém vai ficar todo esse tempo. Há décadas atrás, era uma coisa natural, normal. Hoje, com a globalização, é tudo mais complicado.

Técnico mais importante em sua carreira no São Paulo?

Todos tiveram sua parcela, mas sem dúvida, gostaria de falar do Telê Santana. Convivi com ele de setembro de 1990 a 1995. Foi quem me lançou no time profissional, que me ensinou muito. Era rígido demais com os jogadores, mas nunca deixou de ser correto com quem realmente trabalhava. Ele era meu parceiro de tênis. Naquela época era diferente. Os solteiros concentravam às 18h e os casados às 22h .Ele pedia para o segurança avisá-lo quando eu chegava, ligava no meu quarto e falava: 'Vamos jogar? Como eu iria recusar esse pedido?' (risos). Lembro de uma vez que ele me chamou a atenção no CT. Eu estava sentado em cima da mesa da telefonista e ele me disse. 'Na sua casa você senta em cima da mesa?' Isso mostra que no fundo ele tinha razão. Era um cara fantástico. Tenho uma admiração não só pelos títulos que ele conquistou, mas pelo jeito que ele conquistou. É um nome gravado para sempre na minha memória.

No futuro pretende ser presidente?

Ser presidente não é algo natural. Quero poder ajudar o São Paulo da maneira que eu puder. Não é uma profissão. Se um dia acontecer, a gente vê. A vida prepara surpresas. Tem gente mais preparada que eu para isso .Espero ajudar o São Paulo da melhor maneira possível.

Que avaliação faz de Sérgio Baresi?

Ele tem uma personalidade que precisa ser destacada. Com 37 anos, resolveu assumir uma obrigação que muitos recusariam. Eu mesmo não sei se estaria pronto. Ele é um cara muito trabalhador, estivemos juntos no início da carreira e, após um período muito ruim, o time começou a dar sinais de reação. Quem acha que eu interfiro na escalação dele não sabe nada. Ele escala, ele mexe, ele é o treinador. Eu apenas falo o que acho que seja necessário. Errado seria se eu falasse para ele tirar um jogador e botar outro. Isso eu nunca vou fazer.

Vai jogar bem até o final do contrato? Existe a chance de renovar?

Me sinto bem, super em forma. Apesar de algumas falhas, acredito que nas 924 partidas que estive em campo até agora, tenha mantido uma média muito boa. Tenho contrato até dezembro de 2012, a não ser que aconteça alguma lesão grave como em 2009. Hoje estou superbem e te diria que posso jogar até os 50 anos. Lá em 2012, a gente vê o que acontece - disse o jogador.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

rogerio ceni manda recado , ‘Quem manda é o treinador’


Goleiro diz também que não teria tanta coragem como o técnico para assumir o São Paulo na situação em que se encontra no Brasileiro


Fernandão conversa com o técnico interino Sérgio Baresi, em treino do São Paulo
Símbolo do São Paulo, o goleiro Rogério Ceni resolveu por fim às polêmicas de que quem substitui o time é ele. Após a vitória sobre o Atlético-MG por 3 a 2, no Ipatingão, o camisa 1 do Tricolor mandou o seu recado e negou que tenha induzido o técnico Sérgio Baresi a colocar Cleber Santana em campo no jogo da última quinta-feira, contra o Atlético-GO

- Quem manda aqui é o treinador. Naquele dia, apenas falei para o Cleber Santana e o Samuel aquecerem, porque eles são altos e logo o Sérgio os chamaria. Como poderia substituir se eu estava no gol? Em nenhum momento substituí o Cleber Santana, apenas tenho 20 anos de São Paulo e vejo o momento do jogo. Só dei um toque para os que estavam aquecendo.

Na ocasião, Rogério Ceni fez sinal para Cleber Santana, que estava atrás do gol, no aquecimento, se dirigir ao treinador são-paulino. Pouco tempo depois, Baresi colocou o volante na partida.

O arqueiro, que tem a mesma idade de Sérgio Baresi, garantiu torcer pelo treinador e elogiou a coragem do companheiro.

- Somos todos interinos, um dia vem outro e ocupa nosso espaço. Se conseguir resultado, torço por ele, que jogou comigo, é sério e trabalhador. Tem o quesito da inexperiência, pois tem 37 anos, eu não teria essa coragem, mas ele teve.

Rogério Ceni recebe homenagem do tricolor !

"Rogério Ceni recebe homenagem da diretoria do São Paulo
Goleiro, que nesta terça completará 20 anos de clube, ganha uma placa de agradecimento pelos serviços prestados


Na véspera de completar 20 anos de história no São Paulo, o goleiro e capitão Rogério Ceni foi homenageado pela diretoria do Tricolor na manhã desta segunda-feira. Durante evento que serviu para apresentar o novo patrocinador do clube, o atleta recebeu uma placa das mãos do diretor de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, que continha a seguinte mensagem.

'Nossa gratidão e homenagem ao homem, pai, atleta, cidadão, capitão e campeão. Por 20 anos de dedicação e inspiração, defendendo com muita galhardia e glória o São Paulo'-

O jogador não escondeu a emoção com a homenagem.

- Eu só tenho a agradecer, principalmente porque o São Paulo é uma extensão da minha vida. Como minha esposa, minhas filhas, tudo que conquistei devo a esse clube. Agradeço ao São Paulo porque todos trabalham para esse clube ser cada vez maior. Hoje, a campanha não é das melhores, mas sem dúvida, vamos buscar a recuperação. É mais do que eu merecia. São 20 anos de trabalho, sou um funcionário, mas faço com muito carinho, muito amor. Agradeço de coração.

O goleiro disse que a sua relação com o clube do Morumbi é algo inexplicável.

- A cada ano, essa relação (com o São Paulo) foi se aproximando ainda mais. Os anos foram caminhando, meus cabelos foram embora, e essa aproximação foi ficando mais forte. A minha grande paixão ao entrar em campo é por vestir essa camisa - lembrou o atleta, que tem contrato com o clube até dezembro de 2012.
rogério Ceni são paulo placa Ao lado do diretor de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, Rogério Ceni exibie a placa que ganhou de presente (Foto: Marcelo Prado / Globoesporte.com)

rogério Ceni são paulo placa

Presidente faz homenagem em carta

Para surpresa de muitos, o presidente Juvenal Juvêncio não apareceu no evento que anunciou o novo patrocinador e homenageou o camisa 1 tricolor. Mesmo assim fez questão de enviar uma carta para mostrar o que o capitão tricolor representa para a história do clube.

Veja a carta abaixo:

Prezado Senhor Rogério Ceni

Capitão da Equipe de Futebol Profissional do São Paulo Futebol Clube

Permita-me dirigir singelas palavras, o que faço, em nome do São Paulo Futebol Clube na condição de Presidente, assim como o faço em meu nome pessoal.

Disse o Poeta Vinícius de Morais que 'a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida'. Há 20 anos, Rogério Ceni encontrou em seu caminho a Gloriosa História do São Paulo Futebol Clube.

Naquele momento, a ninguém seria dado imaginar que as correntezas dessas duas Histórias iriam confluir de forma tão singela, que, pelas próximas décadas, iriam se tornar um único caminhar, percorrido em uníssono pelo Homem e pelo Clube, com tamanha harmonia a ponto de poder se dizer ser esse um único afluente.

Nesses 20 anos, Rogério Ceni soube percorrer todas as etapas comuns à vida profissional de um atleta de futebol.

Soube chegar e superar as agruras daqueles que sofrem pela falta do aconchego da cidade do interior e estranham a frieza da cidade grande.

Soube esperar seu momento, absorvendo com intensidade os ensinamentos dos mais velhos, como que antevendo o quanto essas lições lhe seriam úteis quando fosse chegada sua hora de brilhar.

Soube passar pelos momentos difíceis com a resignação dos esportistas e o inconformismo dos vencedores. Constitui família, com sua esposa Sandra e teve suas lindas gêmeas: Beatriz e Clara.

Mais do que tudo, Rogério Ceni soube amar. Amar tanto o São Paulo Futebol Clube a ponto de ser reconhecido pelos milhões de torcedores como sendo um deles dentro do campo. Dessa gente que sofrida, que vem de longe e dedica ao Clube horas do seu lazer e o sacrifício dos abnegados, Rogério Ceni recebe o carinho que somente dispensariam àqueles nos quais reconhecessem a coincidência do igual amor.

Quis o destino, que é justo e sempre sabe recompensar os apaixonados, que Rogério Ceni tivesse tido a oportunidade de vencer no São Paulo Futebol Clube. Vencer já na condição de Capitão, líder respeitado e querido pelos colegas, técnicos, dirigentes e funcionários do Clube.

Campeonatos Paulistas, Brasileiros, Libertadores, Mundial de Clubes. Rogério Ceni ganhou tudo no São Paulo. Fez História e bateu recordes. Fez, até hoje, 90 gols, todos eles com a camisa do São Paulo Futebol Clube. Todos eles como goleiro. Criou uma marca própria, na forma do alarido que se ouve nos estádios do Brasil e do Mundo quando aquela figura com trajes diferentes dos demais e que estaria ali só para defender, sai correndo da sua meta e atravessa o campo para cobrar uma falta ou um pênalti. Tornou-se, então, o maior goleiro artilheiro do Mundo, levou, com suas façanhas, o nome do São Paulo Futebol com destaque no Brasil e no Exterior.

E mesmo que nesse momento seja a oportunidade de relembrar o que já conquistou, Rogério Ceni, após 20 anos de São Paulo Futebol Clube, ainda tem muito a fazer. Rogério Ceni ainda quer mais. E não duvidemos que muito mais ainda irá conseguir. Até porque, cada vitória só fez aumentar sua obsessão por mais títulos, por mais conquistas, por mais outras vitórias que certamente virão.

Rogério Ceni é como o São Paulo Futebol Clube, obcecado pela vitória, inconformado e insatisfeito com tudo que seja menos do que o melhor, a excelência, o próximo passo rumo a um novo objetivo ainda mais grandioso do que o anterior.

Por isso tudo, Rogério Ceni, o São Paulo Futebol Clube está honrado por ter, nesses últimos 20 anos, podido contar com seus serviços, com sua dedicação, com seu profissionalismo e, sem que nenhuma contradição, com o seu amor.

Certamente, a História de Rogério Ceni, que há 20 anos chegou de Sinop, hoje se confunde e é uma das páginas mais brilhantes da Gloriosa História do São Paulo Futebol Clube.

Que seja assim por mais outras tantas décadas, que Rogério Ceni e São Paulo Futebol Clube continuem vivendo esse encontro abençoado e sigam juntos por um caminho comum, uma trilha de glórias e vitórias motivadas pelo carinho, pelo respeito, pela admiração recíproca, enfim, pelo amor.

Atenciosamente,

JUVENAL JUVÊNCIO

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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Arena política do Trio de Ferro

"por Mauro Beting em 30.ago.2010 às 16:08h

A palavra “arena”, em política brasileira, remete aos piores anos do Brasil.

O termo arena, neologismo de antanho para os Coliseus do brioche & circo destes dias, comporta tudo. Tem cabimento para tantos. Mesmo que não tenham cabimento algumas atitudes e contas a serem pagas por nossos tataranetos. Ainda mais em ano de eleição de presidente. De governador. E até de presidente do Clube dos 13.

Resumindo: o chefe da delegação brasileira na África do Sul ganhou um alvará do presidente da CBF que não conhecia um dos três projetos de estádio do Corinthians; o maior desafeto do presidente da CBF (que coleciona desafetos sacrossantos como o presidente do São Paulo) teve todos os nãos de São Paulo e do Morumbi para os tantos projetos e remendos apresentados pelo clube tricolor.

Para resumir ainda mais: Ricardo Teixeira aprovou um projeto que não viu em Itaquera, e disse não a todos os Morumbis apresentados pela não menos arrogante, preponte e desastrada direção são-paulina.

Os projetos são-paulinos tinham as suas falhas como tem o Morumbi desde a construção.
E, mesmo se fosse perfeito, se fosse a “casa sacrossanta” que Juvenal se jactancia, ainda assim teria o não rotundo dado pelo dono da CBF e da Copa de 2014.

O projeto corintiano (que originalmente é para 48 mil pessoas, e já foi mudado para acomodar as 65 mil previstas para a abertura da Copa) ainda é incerto e não sabido. Mas já está aprovado pelo prefeito do DEM, pelo governador do PSDB e, claro, pelo presidente do Brasil.
Ou melhor: pelo presidente honorário da República do Corinthians, como torcedor de berço, e conselheiro há anos.
Correligionário do presidente do Corinthians, chefe da delegação, e grande armador de toda a jogada, Andrés Sanchez.

Presidente corintiano coberto de méritos pelo chapéu que deu em Juvenal Juvencio, em termos de Copa.
Mas que levou a questão mais para o lado pessoal-clubístico, fazendo menor uma questão maior. Do tamanho da arena que receberá da Odebrecht. Do tamanho da paixão centenária corintiana.

Como se sabe há muito tempo neste canteiro de obras que é o Brasil, só o amor e a Odebrecht constroem. Pavimentando alianças neste governo que acaba, construindo pontes e um estádio para o novo e provável governo petista.

Faz parte do jogo e de algumas jogadas.

Só é de estranhar tanto mau humor com o São Paulo Futebol Clube.

E tantos freios com outra obra importante, inteiramente financiada pela iniciativa privada, que não consegue sair da prancheta por erros de todos os lados.

Também do Palmeiras que tinha dívidas a pagar. Também da oposição do clube (e ao clube) que criou e ainda vai criar todos os empecilhos de fato e sem muito direito.

E, agora, também do Cades (Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) que entrou em campo para não reformar o Palestra.
Justamente nos dias em que São Paulo terá um grande estádio para a Copa.

Sou tão leigo em construção de estádios quanto Ricardo Teixeira é em futebol.

Mas o reprovado Relatório de Impacto de Vizinhança (RIVI) não faz parte da política de boa vizinhança. É uma declaração de guerra ao bom senso.

Um relatório de impacto sonoro com uso de vuvuzelas e fogos de artifício para liberar as obras do novo estádio palmeirense é de um absurdo incomparável. Melhor, de fato, ser surdo a ouvir os lamentáveis argumentos que impedem o início das obras.

Primeiro porque o estádio já existe. É Stadium Palestra Itália, desde 1933.
Segundo porque será coberto na área dos torcedores. O estádio é barulhento hoje. Será muito menos quando estiver pronto.
Terceiro porque fogos de artifício não são liberados nos campos. É tão ridículo exigir um relatório a esse respeito quanto seria um teste para saber qual seria o impacto sonoro de um rufar de canhões dentro do gramado.

E mais não é preciso dizer pelo risível argumento do Cades.
Aliás, o primeiro comunique-se do órgão em 2010.

E tem mais!

Foi cobrado um estudo para saber quantas pessoas iriam com veículo próprio em dias de shows.

Quem sabe?

Certamente não o mesmo departamento que liberou sem grandes problemas o Shopping Bourbon, vizinho da nova Arena.

Para atrasar ainda mais as obras palestrinas, falta ao clube o mesmo tipo de argumento que sobrou ao presidente corintiano.

Não é amizade com o presidente Lula, que isso Belluzzo tem de longa data, independente de carteirinha do partido, como tem Andrés desde o ano passado.

Faltam, talvez, os mesmos procedimentos, digamos, mais enfáticos.

Aqueles argumentos que liberaram o estádio corintiano a toque de caixa aberto.

E que emperram a arena palmeirens com freio ABS.

No frigir das bolas, o Corinthians cimentou muito bem a sua obra.
O São Paulo enterrou seu Mundial tanto por jogo político rasteiro do outro lado quanto por soberba de seu presidente.
O Palmeiras está pagando contas que não são dele. Mesmo que o baixo nível da oposição do clube (e ao clube) também ajude a atrapalhar o início das obras, que não têm a menor guarida dos órgãos públicos.

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