sábado, 20 de novembro de 2010

Coritiba garante bi da Série B

Coritiba só empata, mas tropeço do Bahia garante bi da Série B ao clube | globoesporte.com: "20/11/2010

19h05 - Atualizado em 20/11/2010 19h35
Coritiba só empata, mas tropeço do Bahia garante bi da Série B ao clube
Equipe de Ney Franco fica no 2 a 2 com o Icasa, completa bela campanha de retorno à elite e comemora mais um título na temporada da redenção


Depois de cumprida a primeira parte, a missão do Coritiba em 2010 agora está completa. Mesmo com empate em Juazeiro do Norte por 2 a 2, com o Icasa, neste sábado, o clube alviverde sagrou-se campeão da Série B desta temporada com uma rodada de antecipação. E foi o segundo troféu da competição para a sala do Couto Pereira, já que, em 2007, o mesmo caminho já havia sido trilhado. Tudo porque o Bahia, único concorrente que restava, não fez o dever de casa e foi derrotado pelo Santo André, em Salvador, e não pode mais alcançar a equipe de Ney Franco.

Os gols foram marcados por Júnior Xuxa e Leozinho, com Marcos Aurélio e Geraldo descontando. O Verdão do Cariri manteve a 12ª, com 50 pontos, e vai terminar de modo honroso a competição, sem olhar para o rebaixamento. Já o Coxa segue estacionado nos 71 e, apesar de ainda haver mais um compromisso, no próximo fim de semana, só pensa em planejar seu retorno à elite.

O JOGO

A partida teve um atraso de sete minutos por conta de uma falha de comunicação entre os clubes. Tanto Coritiba quanto Icasa vestiam verde ao entrarem em campo, o que obrigou os visitantes a buscarem camisas brancas no vestiário. O calor intenso, referente às 16h, diga-se, uma vez que no Ceará não há horário de verão, não cessou. Mas o duelo teve um ritmo intenso.

Disposto a não abrir mão da vitória, o Icasa partiu para cima e notou que o adversário jogaria em seu erro, apenas nos contragolpes. Mas cercar tanto não foi uma tática efetiva, e o Coritiba criava perigo com Tcheco e Marcos Aurélio. Na categoria de Júnior Xuxa, porém, o Icasa abriu o placar, aos 19 minutos, com belíssima cobrança de falta.
tcheco, icasa x coritiba

tcheco, icasa x coritibaSob calor, Tcheco protege a bola no jogo que garantiu título ao Coxa (Foto: Hedeson Alves / Agência Estado)

Depois, empolgado, o time de Flávio Araújo seguiu em cima, com o trio Xuxa/André Neles/Assisinho. O goleiro Edson Bastos, então, passou a ser a principal figura em campo, com defesas que garantiram que a equipe da casa não abrisse vantagem maior. O público no estádio não se decepcionou com a boa qualidade do jogo. Ainda na primeira etapa, Marcos Aurélio deu alento ao Coxa ao empatar a partida, aos 44.

Na volta do intervalo, o Coritiba quase virou, de novo com Marcos Aurélio, e foi capaz de manter o controle das ações por alguns minutos. Sabendo que o Tricolor Baiano vencia naquele momento, não podia bobear e deixar a decisão para a última rodada. Pouco a pouco, no entanto, o Icasa se animou de novo e, com o apoio da torcida, fez 2 a 1, por meio de Leozinho, aos 27.

Para não fechar a campanha com derrota, com o jogo já bem morno, o angolano Geraldo, que acabara de entrar, igualou tudo outra vez com um chute forte de dentro da área. Curiosamente, nesta tarde houve a inaguração do placar eletrônico do estádio, que estampou, em letras garrafais, a homenagem ao grande campeão da Série B.

domingo, 14 de novembro de 2010

falta pouco para Coritiba ser campeao!

"Coritiba vence, mas não leva o título. Figueirense garante a volta à elite
Coxa faz 2 a 1 sobre catarinenses no Couto Pereira, mas grito de campeão continua preso na garganta depois da vitória do Bahia sobre a Lusa



O Coritiba deu neste sábado mais um importante passo rumo ao título da Série B. No Couto Pereira lotado - foi o primeiro jogo no estádio depois de garantido o acesso à Série A -, os donos da casa pressionaram o Figueirense no início e garantiram a vitória por 2 a 1 sobre o vice-líder (veja o vídeo com os gols). O grito de campeão, no entanto, continua preso na garganta, já que o Bahia venceu a Portuguesa por 3 a 0 em Pituaçu. Melhor para o Figueirense, que assegurou matematicamente a volta à elite em 2011.

A próxima chance de o Coritiba levar a taça será no próximo sábado, contra o Icasa. A volta olímpica pode acontecer até com um empate, caso o Bahia não vença o Santo André em Pituaçu. O Figueirense volta a campo no mesmo dia, contra o Guaratinguetá, também como visitante.

O Coritiba tem 70 pontos, cinco a mais que o Bahia, novo vice-líder. O Figueirense é o terceiro, com 63, e não pode mais ser ultrapassado por Portuguesa e Sport, respectivamente em quinto e o sexto, ambos com 56 pontos. O quarto colocado é o América-MG, com 59.

Clique e confira a classificação e os próximos jogos da Série B

O duelo do líder contra o vice justificou a posição dos dois times, com lances de perigo desde o começo. Aos dez minutos, o capitão Jéci aproveitou falta cobrada na área por Marcos Aurélio e cabeceou bem: 1 a 0 Coritiba.

Cinco minutos depois, Enrico fez boa jogada pela esquerda a passou para Rafinha, que dominou com o pé direito e emendou de esquerda, no ângulo. Festa no Couto Pereira com o 2 a 0 logo no início.
Rafinha comemora gol do Coritiba contra o FigueirenseRafinha comemora o segundo do Coritiba, logo aos 15 minutos da etapa inicial (Foto: Ag. Estado)

Rafinha comemora gol do Coritiba contra o Figueirense

Mas o Figueirense não aceitou facilmente a derrota. Aos 38, Enrico empurrou Bruno na área. Pênalti bem marcado. Reinaldo cobrou mal, o goleiro Edson Bastos defendeu, mas o próprio Reinaldo aproveitou o rebote e completou para a rede.

No segundo tempo, o Figueirense poderia ter empatado aos 13, quando Reinaldo foi puxado pela camisa por Jéci dentro da área. O árbitro ignorou o pênalti.

Os visitantes dominaram praticamente toda a etapa final, mas o Coritiba chegava com perigo quando conseguia encaixar os contra-ataques. Um deles aconteceu aos 35, quando Rafinha escapou pela direita, chutou no canto e obrigou Wilson a fazer importante defesa.

No fim, o Figueirense pressionou bastante, mas o sufoco não foi suficiente para esfriar a festa da torcida e dos jogadores do Coxa, que comemoraram no gramado como se o título já fosse deles .

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Rogerio Ceni na lista dos 20 maiores artilheiros tricolores


Gol de quarta coloca Ceni na lista dos 20 maiores artilheiros tricolores
Goleiro, que é o recordista absoluto em sua posição, balançou a rede 92 vezes na carreira inciada em 1990: são 51 de falta e 41 de pênalti

Entre 20 imortais

Gol de quarta coloca Ceni na lista dos maiores artilheiros do clube, com 92



Rogério Ceni já tem 20 anos de carreira no São Paulo, mas ainda consegue bater recordes. Com o gol de pênalti marcado na partida de quarta-feira, contra o Cruzeiro, em Uberlândia, o goleiro entrou para um grupo seleto, que conta com nomes como Careca, Leônidas da Silva, Serginho Chulapa, França e Luís Fabiano: o camisa 1 colocou seu nome na lista dos 20 maiores artilheiros do clube do Morumbi. Ceni marcou o seu 92º gol na carreira. São 51 de falta e 41 de pênalti. (Veja ao lado o gol marcado contra o Cruzeiro, na última quarta).

- É uma marca excepcional. Fico muito feliz por saber disso. É um motivo de muito orgulho para mim. Fico feliz com mais esta marca na minha carreira. Com tantos atacantes de qualidade que já passaram pelo São Paulo e eu estar entre os 20, realmente é motivo de muito orgulho mesmo – afirmou o camisa 1, em entrevista ao site oficial do clube do Morumbi.

CONFIRA ABAIXO A LISTA DOS MAIORES ARTILHEIROS DA HISTÓRIA DO TRICOLOR
POSIÇÃO NOME PERÍODO EM QUE JOGOU PELO CLUBE NÚMERO DE JOGOS DISPUTADOS GOLS MARCADOS
1º) Serginho Chulapa 1973 - 1982 399 242
2º) Gino Orlando 1953 - 1962 452 238
3º) Teixeirinha 1939 - 1956 522 187
4º) França 1996 - 2002 327 182
5º) Luizinho 1930 - 1935 / 1942 - 1947 263 175
6º) Muller 1984 - 1987/ 1991 - 1994 e 1996 386 161
7º) Leônidas da Silva 1942 - 1951 211 141
8º) Maurinho 1952 - 1959 348 136
9º) Raí 1987 - 1993 / 1998 - 2000 395 126
10º) Prado 1961 - 1967 242 121
11º) Pedro Rocha 1970 -1977 393 121
12º) Luís Fabiano 2001 - 2004 160 118
13º) Careca 1983 - 1987 190 115
14º) Dino Sani 1954 - 1961 325 111
15º) Remo 1940 - 1951 347 107
16º) Canhoteiro 1954 - 1963 408 107
17º) Friedenreich 1930 - 1935 127 106
18º) Renato 1980 - 1984 298 100
19º) Dodô 1995 - 1999 169 93
20º) Rogério Ceni 1990 - atualmente 938 92
20º) Babá 1966 - 1970 212 92


O início da artilharia do jogador ocorreu no dia 15 de fevereiro de 1997, quando o camisa 1 marcou, de falta, um dos gols da vitória sobre o União São João por 2 a 0, em partida realizada no estádio Hermínio Ometto, pelo Campeonato Paulista. Sua melhor temporada aconteceu em 2005, quando o Tricolor conquistou os títulos do Paulista, da Taça Libertadores da América e do Mundial de Clubes da Fifa. Naquele ano, ele marcou 21 gols.

A expectativa de todos no Morumbi é que, até o final do seu contrato, que será em dezembro de 2012, o goleiro chegue ao número de 100 gols na carreira




































O início da artilharia do jogador ocorreu no dia 15 de fevereiro de 1997, quando o camisa 1 marcou, de falta, um dos gols da vitória sobre o União São João por 2 a 0, em partida realizada no estádio Hermínio Ometto, pelo Campeonato Paulista. Sua melhor temporada aconteceu em 2005, quando o Tricolor conquistou os títulos do Paulista, da Taça Libertadores da América e do Mundial de Clubes da Fifa. Naquele ano, ele marcou 21 gols.

A expectativa de todos no Morumbi é que, até o final do seu contrato, que será em dezembro de 2012, o goleiro chegue ao número de 100 gols na carreira.


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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A briga de José Serra com um padre no Ceará - Sérgio Morenno

A briga de José Serra com um padre no Ceará - Sérgio Morenno: "A briga de José Serra com um padre no Ceará


(Foto tirada poucos instantes antes do tumulto)

17/10/2010

Panfleto ligado a tucanos contra Dilma Rousseff causa confusão ao fim da missa de São Francisco em Canindé

A campanha de José Serra no Estado do Ceará terminou com tumulto, ontem à tarde, na gruta da Basílica de Canindé, onde foi celebrada missa dentro dos festejos em homenagem a São Francisco. O motivo da confusão foi a manifestação do celebrante que, mostrando um panfleto entregue por militantes da campanha do tucano dizia que a adversária de Serra, neste segundo turno, Dilma Rousseff (PT), era a favor do aborto. O sacerdote disse que distribuição daquele material não poderia ser atribuída à Igreja.

Irritação

As declarações do padre geraram irritação ao senador Tasso Jereissati (PSDB). Primeiro, o tucano disse que o pároco não poderia fazer tal ação em nome da Igreja, acrescentando que 'isso é uma atitude não cristã. Lamento, porque venho aqui desde criança e nunca vi um sermão desse jeito'. Tasso declarou que não se sentia constrangido pelo sermão do padre, mas sim pelas bandeiras do Partido dos Trabalhadores (PT) que estavam fora do recinto.

O clima de constrangimento já era visível logo no início da celebração. Poucos minutos depois de José Serra chegar à missa, acompanhado do senador Tasso Jereissati, do ex-governador Lúcio Alcântara (PR) e de outros correligionários, o padre lamentou que algumas pessoas não foram à Igreja com o objetivo de acompanhar a cerimônia. 'Se alguém veio com uma outra intenção é melhor se retirar. Não defendo bandeira A ou B, mas a do evangelho', ressaltou, pedindo respeito aos demais presentes que foram ao recinto não para ver o pároco ou aos políticos, mas a São Francisco.

Depois da advertência do padre, a missa transcorreu com naturalidade, até o momento da Comunhão. Após José Serra, Tasso Jereissati e Lúcio Alcântara comungarem, romeiros que estavam na missa, pediam para tirar fotos com os políticos. Tais manifestações geraram novamente irritação ao pároco. 'As pessoas que estão fazendo imagem, não é assim que se vê política. Isso é profanação. É lamentável, as pessoas querem comungar e não podem', colocou.

Panfleto

Minutos depois, o padre apresentou o panfleto que estava sendo entregue por manifestantes do PSDB aos presentes na Igreja e pela cidade de Canindé. Ao erguer o panfleto, ele declarou que 'estão distribuindo isso aqui (o panfleto) como se fosse da Igreja, o que não é verdade. Não é assim que se faz política, não em nome da Igreja', reforçou. Com a manifestação do padre, o senador Tasso Jereissati se dirigiu às proximidades do altar e afirmou que 'o senhor não pode fazer isso', ressaltou. No mesmo momento, José Serra saiu do recinto acompanhado de aliados do PSDB e PR.

O panfleto denunciado pelo pároco, entregue por militantes do PSDB em Canindé, estava intitulado “Juntos pela vida”, com as cores azul e amarelo do PSDB. Porém, o mesmo estava sendo colocado sob responsabilidade do Instituto Vida de Responsabilidade Social, inclusive contendo número de CNPJ e tiragem de 5000 unidades. O documento explicava os “três grandes motivos para não votar na Dilma”. O panfleto ainda colocava que “nós cristãos, estamos chamando você, homem e mulher de bem do Ceará, para fazer parte desta luta contra as grandes ameaças a vida dos brasileiros”, aborda o texto.

Os três pontos abordados no panfleto eram aborto; drogas, armas e morte e a corrupção. No primeiro cita a suposta posição favorável do PT e de Dilma à descriminalização do aborto. O seguinte faz ilações sobre o Partido dos Trabalhadores com as FARC da Colômbia. E o último aborda de forma generalizada todos os escândalos de corrupção do governo Lula, entre os quais o mensalão e o do tráfico de influência de Erenice Guerra na Casa Civil.

Antes de assistir à missa de São Francisco na gruta da Basílica de Canindé, o tucano participou de um ato político envolvendo dirigentes apoiadores de Serra no Estado, como PR, PPS, DEM e PMN. Também esteve presente o senador Mão Santa (PSC/PI), que, este ano, não conseguiu se reeleger. Em seu discurso, José Serra afirmou que iria tirar do papel as obras que ainda não foram iniciadas e outras não concluídas como Refinaria, Siderúrgica e o Metrofor. Serra aproveitou o ensejo para enaltecer a parceria de ambos quando ele foi ministro do Planejamento e Tasso governador do Ceará. “Nós construímos o Porto do Pecém e Castanhão, essas são obras que terminaram e não obras de saliva”, disse.


Por causa do episódio, autoridades eclesiásticas brasileira pretendem encaminhar relato do ocorrido ao Papa Bento II.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Rogério Ceni a história de um mito !

a história de um mito e seus 20 anos de trabalho e dedicação
Títulos, recordes e a adoração cada vez maior da torcida. Após vencer a maior lesão da carreira, goleiro comemora marca jogando o fino da bola




Um mito debaixo das traves. Uma máquina de conquistar títulos e quebrar recordes. No São Paulo, ninguém tem números tão expressivos quanto Rogério Ceni. Jogador com maior número de partidas disputadas (924), com o maior número de títulos oficiais conquistados (14), maior artilheiro do clube na história da Taça Libertadores da América (11 gols) e recordista de minutos sem tomar gols no Campeonato Brasileiro (988).

Os recordes se estendem para longe do Morumbi, afinal Rogério é o maior goleiro artilheiro do mundo (90 gols), recordista de jogos no Campeonato Brasileiro (403), foi eleito o craque do Nacional de 2007 e se tornou o único a jogador da América do Sul, em toda a história, a ter participado da eleição final da revista France Football para a eleição da Bola de Ouro (melhor jogador do mundo). Terminou na 27ª colocação na temporada 2007.

Nesta terça-feira, o paranaense de Pato Branco, aos 37 anos, marido de Sandra e pai das gêmeas Clara e Beatriz, hoje com cinco anos, escreverá o capítulo mais nobre de sua história como jogador ao completar 20 anos no clube do Morumbi. Ou, como o próprio camisa 1 diz, a sua segunda casa.
rogério Ceni são paulo placaRogério Ceni recebe placa do São Paulo (Foto: Marcelo Prado / Globoesporte.com)

- Eu só tenho a agradecer, principalmente porque o São Paulo é uma extensão da minha vida. Como minha esposa, minhas filhas, tudo que conquistei devo a esse clube. Agradeço ao São Paulo porque todos trabalham para esse clube ser cada vez maior. São 20 anos de muito trabalho, de um trabalho que cada vez me dá mais prazer. Faço tudo aqui com muito carinho, com muito amor – lembrou o jogador, emocionado após receber a placa da diretoria na manhã da última segunda-feira, no salão nobre do estádio do Morumbi.
CONFIRA OS DEZ JOGADORES QUE MAIS TEMPO VESTIRAM A CAMISA DO SÃO PAULO
NOME POSIÇÃO TEMPO DE CLUBE
Rogério Ceni Goleiro 20 anos
Teixeirinha Atacante 16 anos e 7 meses
De Sordi Zagueiro 13 anos e 7 meses
José Poy Goleiro 12 anos e 10 meses
Roberto Dias Zagueiro 12 anos e 3 meses
Mauro Zagueiro 12 anos e 1 mês
King Goleiro 11 anos
Savério Zagueiro 11 anos
Remo Meia-atacante 10 anos e 11 meses
Waldir Peres Goleiro 10 anos e 11 meses






Muita coisa mudou em duas décadas. Menos a paixão entre Ceni e o São Paulo

Em duas décadas, muita coisa mudou. O Brasil ainda não conhecia a internet, nem o telefone celular. O mundo assistia ao confronto entre Iraque e Kuwait, que, poucos meses depois, se transformaria na Guerra do Golfo. Ainda existia a União Soviética, que seria dissolvida um ano depois. No esporte, Ayrton Senna brigava pelo bicampeonato mundial contra Alain Prost e a Seleção Brasileira amargava um jejum de 20 anos sem ganhar uma Copa do Mundo. Nesse período, Rogério Ceni seguiu fazendo a mesma coisa e o mesmo trajeto todos os dias.

- É uma coisa engraçada pensar no que mudou em 20 anos. Hoje, estou mais experiente, mais careca (risos). Os anos foram caminhando, e a minha paixão pelo São Paulo só foi aumentando. Hoje, não consigo me imaginar jogando futebol sem ser com a camisa do São Paulo. Meu carro parece que está sempre no automático, vai sozinho para o CT. Vestir essa camisa é algo que dá motivação todos os dias e não tenho dúvida de que isso vai acontecer até o último dia da minha carreira - afirmou.

Nesses 20 anos, Rogério viveu imensas alegrias. Conquistou títulos, contabilizou recordes, chegou à Seleção Brasileira. Mas também teve decepções. Por duas oportunidades, essa história que hoje completa Bodas de Porcelana esteve perto de não acontecer. Por isso, o GLOBOESPORTE.COM montou uma linha do tempo para enumerar os principais fatos da carreira de um dos maiores nomes da história do clube do Morumbi.

Pressão logo no primeiro teste
Quinta-feira, 6 de setembro de 1990. Por influência de um conselheiro, Rogério Ceni deixou para trás propostas do Santos, Bragantino e Ferroviária e veio para a capital paulista para fazer um teste no São Paulo. Com 17 anos, a cidade grande já deixou o garoto muito assustado.

- Quando cheguei à cidade, uma das primeiras coisas que eu vi foi o estádio do Morumbi. E era algo de outro mundo, gigante, impressionante. Principalmente porque, três dias depois do teste, foi lá que fui morar por quatro anos. Hoje, como moro perto, passo todo dia em frente e acho a coisa mais normal do mundo – afirmou, rindo.

Voltando ao teste, Rogério Ceni fez aquecimento com o então preparador físico Sérgio Rocha e depois fez alguns trabalhos com o preparador de goleiros dos juniores, Gilberto. No intervalo, veio a oportunidade.

- O Forlán (Pablo, ex-jogador) era o técnico. Foi alguns meses antes do Telê chegar. O Gilberto fez alguns trabalhos específicos. Olhei para o campo onde o time principal treinava e vi o Gilmar de um lado e o Zetti do outro. Tinha eu e o Marcos como opções. Fui superbem, mas me lembro que tomei um golaço do Leonardo, de cavadinha. Ele saiu cara a cara comigo, eu tapei o canto e ele mandou por cima. Mas esse teste nunca vai sair da minha cabeça. Quando cheguei, não sabia o que aconteceria. E, minutos depois, estava num coletivo do time principal. No dia 7, fui ao Morumbi preencher toda a papelada e, dois dias depois, já estava morando no time do Morumbi - lembrou o goleiro.
Sérgio Baresi Rogério Ceni São Paulo 1992Rogério Ceni e Sérgio Baresi foram companheiros
na Copinha de 1992 (Foto: Gazeta Press)

Rogério não demorou muito e subiu para o time júnior. Em 1992, subiu para o time profissional, como terceiro goleiro, já que o reserva imediato de Zetti, Alexandre, havia morrido em um acidente de carro. No ano seguinte, voltou aos juniores para disputar e conquistar a Copa São Paulo daquele ano contra o Corinthians. Curiosamente, naquele time estava o zagueiro Sérgio Baresi, que hoje comanda o time profissional. Quando retornou ao profissional, logo depois, foi oficializado como reserva imediato de Zetti. No mesmo ano, fez sua estreia no time de cima, no troféu Santiago de Compostela, na partida contra o Tenerife, que terminou 4 a 1 para o Tricolor.
Sérgio Baresi Rogério Ceni São Paulo 1992
Paciência, paciência, paciência

De 1994 a 1996, Rogério teve de aprender a desenvolver a paciência, já que Zetti vivia a melhor fase da sua carreira. Foram 205 longas partidas na reserva. Ele atuou apenas na Copa Conmebol, quando Muricy Ramalho utilizou o time reserva, carinhosamente chamado de “Expressinho”. Até que, em junho de 1996, seis meses antes do fim do seu contrato, Ceni recebeu proposta do Goiás para ser titular e ganhar três vezes mais o que recebia no clube do Morumbi.

- Eu respeitava muito o Zetti, mas queria jogar. Fui ao presidente Fernando Casal Del Rey e apresentei a proposta. Ele me disse para ter paciência que, no final do ano, o Zetti ganharia passe livre como uma forma de reconhecer tudo de bom que ele fez para o clube. E que, quando isso acontecesse, eu viraria titular. Nessa conversa, renovei meu contrato por dois anos e tudo que o presidente havia dito, aconteceu.

Nos treinamentos, Rogério crescia cada vez mais de produção e também se destacava com a bola nos pés. Um dia, começou a treinar faltas e, animado com os resultados, resolveu que tentaria se aperfeiçoar. Em determinados treinos, chegava a bater 40, 50 faltas. E o que ele tanto sonhava aconteceu no dia 15 de fevereiro, quando autorizado pelo então técnico Muricy Ramalho, foi ao ataque e, com uma cobrança perfeita, no canto esquerdo do goleiro Adinan, Ceni marcava seu primeiro gol de falta.

Rota de colisão com o presidente em 2001 quase o levou para o Cruzeiro

Em 2001, certamente Rogério Ceni viveu seu momento mais difícil dentro do clube. O então presidente Paulo Amaral acusou o jogador de inventar uma suposta proposta do Arsenal (ING) para ganhar aumento salarial. As duas partes entraram em rota de colisão, e o goleiro foi suspenso por 29 dias, quando também não recebeu salários. Até hoje, ele não esconde o incômodo com tudo o que ocorreu.

- Nunca mais tive contato com ele (Paulo Amaral) e nem quero ter. Guardo ressentimento de como ele tratou a questão. Não tinha por que ser assim. Quando o Juvenal assumiu, eu recebi uma proposta da Grécia e levei ao conhecimento do presidente, que preferiu não me vender O outro foi intransigente. Hoje, cada um tem sua importância no clube. Ele representa o clube apenas pelos dois anos em que foi presidente. Se eu pudesse, falava toda a verdade dessa história. Mas é melhor eu ficar quieto - afirmou.

Nessa época, Ceni esteve a um passo de se transferir para o Cruzeiro. Seria trocado por André e o clube mineiro ainda dava uma excelente compensação financeira. O negócio acabou não saindo e, na eleição seguinte, Paulo Amaral foi derrotado por Marcelo Portugal Gouvêa que, em um dos seus primeiros atos, renovou o contrato do camisa 1.

Anos gloriososos atos, renovou o contrato do camisa 1.
Anos gloriosos

Rogério Ceni Libertadores 2005
Rogério Ceni Libertadores 2005Ceni na Libertadores de 2005 (Foto: Reuters)

Passada essa turbulência, Ceni então virou o símbolo de uma equipe que, após ter passado anos brigando apenas pelo título estadual, voltou a se destacar no cenário nacional e sul-americano. Em 2003, o time garantiu o direito de voltar a disputar a Libertadores, o que não acontecia desde 1994. Em 2004, apesar da queda na semifinal diante do Once Caldas, a certeza de que o time estava no cominho certo. E isso acabou se comprovando em 2005, com os títulos paulista, da Taça Libertadores e do Campeonato Mundial de Clubes.

Entre 2006 e 2008, o São Paulo foi soberano no Brasil, conquistou o tricampeonato nacional e tornou-se o único time a ter seis títulos brasileiros. Em 2009, Ceni conheceu a pior lesão da sua carreira ao quebrar o tornozelo esquerdo num treinamento. Foram quatro meses de uma longa ausência. Hoje ele celebra o fato de voltar a atuar em alto nível. Em 2010, apesar da seca de títulos da equipe, ele contabilizou mais um recorde para sua carreira: o de maior artilheiro da história do clube na Taça Libertadores da América, com 11 gols.

Todo esse sucesso faz um senhor de 72 anos ir às lágrimas quando fala do filho. Em Sinop, onde mora o seu Eurydes, disse que seu coração está saindo pela boca de tanta alegria pelo sucesso de Rogério Ceni no São Paulo.

- Eu sou suspeito para falar do meu filho. Além de um filho maravilhoso, é um pai maravilhoso, tem um carinho muito grande com as filhas. Como jogador, não há o que dizer, os fatos e recordes dizem por si só. O Kiko (apelido do filho) é um privilegiado. No ano passado, quando ele se machucou e muitos duvidaram da sua recuperação, conversamos e senti muita vontade. Não tinha dúvida de que ele voltaria ainda melhor. E foi o que aconteceu. Vou fazer questão de ligar para ele e falar tudo que tenho vontade. O problema é que sou emotivo, vou chorar. Mas não tem importância. Ele merece tudo que a vida está lhe dando - concluiu o pai, feliz da vida.


Bate bola com o capitão são-paulino

O que falta ainda conquistar no São Paulo?

Difícil dizer. Afinal, tudo que podia viver no São Paulo, eu vivi. Tenho grandes conquistas, tricampeonato brasileiro, sete anos seguidos na Libertadores, coisa que ninguém fez no nosso país. É claro que se dá muito valor a títulos. Mas o São Paulo cresceu demais. O CT de Cotia é algo impressionante. Sexta-feira passada estive no Morumbi, onde vivi por quatro anos, e fiquei absolutamente surpreso com tudo que vi. É um progesso muito grande. O São Paulo vem crescendo muito, apesar dos resultados não serem tão bons. Mas eu quero ganhar sempre mais, quero poder disputar uma nova oportunidade e ser tricampeão, coisa que ninguém fez até hoje.

Alguém vai quebrar a sua marca de 20 anos?

Alguém vai alcançar essa marca. Vai surgir alguém, sem dúvida, mas não sei se alguém vai ficar todo esse tempo. Há décadas atrás, era uma coisa natural, normal. Hoje, com a globalização, é tudo mais complicado.

Técnico mais importante em sua carreira no São Paulo?

Todos tiveram sua parcela, mas sem dúvida, gostaria de falar do Telê Santana. Convivi com ele de setembro de 1990 a 1995. Foi quem me lançou no time profissional, que me ensinou muito. Era rígido demais com os jogadores, mas nunca deixou de ser correto com quem realmente trabalhava. Ele era meu parceiro de tênis. Naquela época era diferente. Os solteiros concentravam às 18h e os casados às 22h .Ele pedia para o segurança avisá-lo quando eu chegava, ligava no meu quarto e falava: 'Vamos jogar? Como eu iria recusar esse pedido?' (risos). Lembro de uma vez que ele me chamou a atenção no CT. Eu estava sentado em cima da mesa da telefonista e ele me disse. 'Na sua casa você senta em cima da mesa?' Isso mostra que no fundo ele tinha razão. Era um cara fantástico. Tenho uma admiração não só pelos títulos que ele conquistou, mas pelo jeito que ele conquistou. É um nome gravado para sempre na minha memória.

No futuro pretende ser presidente?

Ser presidente não é algo natural. Quero poder ajudar o São Paulo da maneira que eu puder. Não é uma profissão. Se um dia acontecer, a gente vê. A vida prepara surpresas. Tem gente mais preparada que eu para isso .Espero ajudar o São Paulo da melhor maneira possível.

Que avaliação faz de Sérgio Baresi?

Ele tem uma personalidade que precisa ser destacada. Com 37 anos, resolveu assumir uma obrigação que muitos recusariam. Eu mesmo não sei se estaria pronto. Ele é um cara muito trabalhador, estivemos juntos no início da carreira e, após um período muito ruim, o time começou a dar sinais de reação. Quem acha que eu interfiro na escalação dele não sabe nada. Ele escala, ele mexe, ele é o treinador. Eu apenas falo o que acho que seja necessário. Errado seria se eu falasse para ele tirar um jogador e botar outro. Isso eu nunca vou fazer.

Vai jogar bem até o final do contrato? Existe a chance de renovar?

Me sinto bem, super em forma. Apesar de algumas falhas, acredito que nas 924 partidas que estive em campo até agora, tenha mantido uma média muito boa. Tenho contrato até dezembro de 2012, a não ser que aconteça alguma lesão grave como em 2009. Hoje estou superbem e te diria que posso jogar até os 50 anos. Lá em 2012, a gente vê o que acontece - disse o jogador.

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